Os moradores falam de um senhor Hebreu, proprietário da empresa que distribui energia por via de um Posto de Transformação (PT), e que o montou há cerca de dois anos.
Misterioso para muitos e desconhecido para outros, a tentativa de quem quer encontrar-se com o senhor Hebreu é tanto infeliz quanto impossível. A equipa de serviços administrativos e mesmo os operacionais não deixa nem mesmo ao morador/clienteque tal privilégio aconteça. No bairro Zona Verde, localizado no distrito urbano do Benfica, município de Belas, em Luanda, as casas de diferentes tipologias mostram à partida quem são os moradores. Há mansões e casebres. Lá mistura-se tudo. E o paradoxal também é que nas primeiras ruas que percorreu a nossa reportagem deparamo-nos com casas com ligação de energia da rede pública da Empresa de Distribuição de Electricidade (ENDE). Ao que dizem os moradores, nas épocas eleitorais as promessas de ligação são intensas, e como exemplo falam também da água e da asfaltagem, onde os arruamentos, recentemente, foram terraplanados com terravermelha e ficou-se por aí. O cenário justificava as lamentações dos moradores que aproveitaram, por denúncia, chamar a reportagem deste jornal a constatar “in loco” o drama que se vive neste bairro de luxo para uns e de miséria para outros tantos.

Contratos são caríssimos
No bairro Zona Verde, por um contrato monofásico paga-se 240 mil kwanzas. A mensalidade são seis mil. Já para um contrato trifásico paga-se 400 mil kwanzas e a mensalidade 12 mil. Como se não bastasse o pagamento é fixo, independentemente dos dias em que se verificam cortes no fornecimento, que segundo dizem, o proprietário argumenta não serem as interrupções
por sua iniciativa e vontade.
A Zona Verde pode ser ilustrativa do que acontece em bairros como Mundial, Tendas, Floresta, Autódromo, Km 30, enfim, tantos e tantos que surgiram na extensão do Benfica, no município de Belas.
Sérgio Ladislau é morador do bairro. Como outros, socorre-se de um gerador para tentar de forma ininterrupta não faltar energia eléctrica. Mas os gastos com combustíveis não o deixam cómodo. Ao pagar o contrato trifásico esperava melhorar a sua condição de vida.
Foi ilusório e só sonho mesmo.
Como ele, quem também reclama do péssimo serviço disponibilizado pelo Posto de Transformação (PT) do senhor Hebreu é o morador António Libra. O docente universitário pede maior responsabilidade, embora denuncia a existência de grupos que continuam a fazer monopólios e desrespeitam os consumidores.
“Há cerca de dois anos se não mais houve um decreto a pôr fim aos operadores privados no segmento da distribuição de energia. Só não entendo como é que até ao momento a Ende não assume as suas responsabilidades”.
Um outro morador, mais antigo ainda no bairro, pois já leva cinco anos de vivência, diz ser preciso que se melhore as condições de habitabilidade nesta parte de Luanda.
Francisco Segredo quer entender as razões de tanta demora, num bairro até facilitado pela boa
organização dos quarteirões.
Para ele, seja a Ende, seja a Epal têm tudo para levarem aos moradores os serviços, contando até com a
boa vontade dos moradores.
A moradora Winnie Domingos também alinhou na ideia dos vizinhos. Os PT privados têm de pôr termo à sua actividade.