Os multicaixas, no mês de Dezembro de 2017, registaram um total de 31,7 milhões de operações. Estes números superam os 25,2 de 2016 e 23,7 de 2015 do período homólogo.

Conforme pode-se ler na página web da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), nos três meses anteriores ao mês de Dezembro os movimentos nas Caixas Automáticas (ATM), vulgo Multicaixas, dão conta de um registo de 21,4; 25,9 e 25,0 milhões de transacções nos meses de Setembro, Outubro e Novembro, respectivamente.
Sobre levantamentos, no mês de Dezembro os multicaixas deram em “cash” nas mais de 2.900 máquinas espalhadas pelo país um total de 219,6 mil milhões de kwanzas (1,3 mil milhões de dólares). Em 2016, no mesmo período, o valor cedido foi de 172,1 mil milhões (mil milhões de dólares).
Quanto às compras mensais nos Terminais de Pagamento Automático (TPA), a Emis tem apenas em registo disponível os movimentos de Dezembro de 2016 e 2015 que se situaram nos 115,6 e 80,7 mil milhões de kwanzas.
Em Dezembro de 2016, a Emis controlava mais de 67 mil Terminais de Pagamento Automático (TPA) e 2.911 Caixas Automáticas (ATM).

Promessas por cumprir
Apesar deste movimento de milhões que se registam todos os meses, a Emis falhou ao prometido de a partir de Setembro do ano passado pôr os angolanos a movimentarem contas e dinheiro nas caixas electrónicas sem o uso de cartões.
Ao que soube o JE, esta premissa terá sido adiada já para o primeiro trimestre deste ano, embora a empresa não veio a público esclarecer tal intenção.
Nos serviços de ATM podem ser feitas consulta de saldo, movimentos, levantamentos de notas, alteração de pin, pedido de livro de cheque, captura de cartões, recargas telefónicas, pagamentos de facturas, apresentação eléctricas de facturas, consulta do Iban, transferências bancárias, segunda via do talão carregamento e outros serviços, pagamentos por sector, levantamentos internacionais e consultas de saldos internacionais.
Em Abril deste ano, a Emis comemora 16 anos de existência e como tem sido habitual deverá apresentar ao público novos serviços e produtos. Aliás, é consensual que os angolanos familiaziram-se de tal forma com os serviços da banca automatizada, que serve de facilitador no acesso aos serviços e também ajuda na bancarização. O primeiro cartão Multicaixa foi lançado a 18 de Abril de 2002.

Bancos cobram mas violam direito à informação
Por cada operação bancária que o cliente faz é-lhe deduzido um certo imposto ou taxa.
Os bancos comerciais angolanos, sob a capa do contrato de adesão, que o cliente é obrigado a ssinar à data da abertura de conta, salvaguardam para si a alteração sem ou com prévia comunicação, dependendo do caso.
Mas o certo é que os clientes angolanos pouco sabem do que pagam por cada operação bancária que efectuam.
No contacto que efectuamos com as informações disponibilizadas pelos bancos BAI, BFA, BIC, Millennium Atlântico é possível ver as tabelas de taxas e comissões, mas muitos dos clientes as desconhecem.
Contrariando a regra de funcionamento da banca mundial, tendo Angola a banca portuguesa por comparação, as mudanças que são efectuadas e que revertem na aplicação de taxas ou outras contribuições ao clientes não são
comunicadas a título pessoal.
A estudante de Economia na Universidade Católica de Angola, Ana Bernardo, entende ser esta uma prática lesiva ao interesse do cliente. Para ela, cada alteração, até a aplicação em taxa do mais baixo cêntimo de kwanza, deve ser do conhecimento de
todas as partes interessadas.
Já Abias Cassongue, que é também titular de uma conta bancária no exterior, propriamente em Portugal, tal como o é em Angola, diz que a diferença está no facto de a prestação de serviço nos bancos europeus revelarem um
forte respeito aos clientes.
“A minha conta titular no Banco Atlântico, em Portugal, sempre que a instituição prevê alteração no regime de contrato, por força de directivas do banco Central Europeu (BCE), sou comunicado e com um tempo para a aceitação ou não. Esta opção de deixar por nossa escolha a adesão ou não, é positiva”.