O peso da economia angolana contínua dependente do petróleo. Para virar o quadro, o executivo traçou várias medidas que visam mudar o cenário. Uma das projecções passa pela diversificação da economia, onde a agricultura é o sector de eleição. Com esta medida, pretende-se criar a segurança alimentar, reduzir as importações e valorizar a produção interna. Contudo, dados do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) indicam que 92 por cento da produção do campo é dominada pela agricultura familiar, porém grande parte do produto estraga no campo por falta de políticas credíveis para o escoamento. Há mesmo relatos de quantidades elevadas de alimentos diversos a estragar no campo. Daí haver quem aponte para a necessidade de se criar em créditos aos agricultores para escoar os alimentos do campo, enquanto outros apontam para a atribuição de meios rolantes que façam a transportação dos bens a preços subvencionados.
O presidente da Federação dos Camponeses, Albano Lussati, defendeu, recentemente, a valorização do trabalho do camponês. “Há muito alimento a deteriorar-se no campo. É preciso que a produção seja acompanhada de políticas de escoamento”, frisou.
Aponta que o apoio dado ao agricultor angolano durante a fase da campanha com sementes e fertilizantes espera-se uma colheita alta. Necessitando para o efeito a aplicação de medidas acertadas no escoamento.
O engenheiro agrónomo Pascoal Castro, que a aposta e parceria agrária com países como a Itália , Polónia e outros trará muitos benefícios para o desenvolvimento de Angola neste sector.
“É preciso deixarmos de importar até o tomate. Para isso, temos de acompanhar e apoiar a produção nacional, além de traçar medidas para que o produto do campo chegue à cidade. Há muito produto a estragar por falta de mercado”, disse.
A imigração para as grandes cidades passa também pela valorização da produção naconal. Terminar com a deterioração dos alimentos e promover mais feiras agrícolas em todos pontos do país é a outra meta.
Já a empresária Filomena de Oliveira aponta à partida que muitas políticas viradas ao sector estão mal concebidas. Realça a existência de casos em que se desconhece quem produz o abacaxi e como resultado, não existem programas de escoamento.
“Andamos a inventar a criação de papagros, paparocas e criar comissões para importação, e não há interesse para conhecer-se a nossa real potencialidade agrária. Os alimentos estragam-se no campo. Faltam estudos sérios neste sentido”.
A estudante universitária Naira Cristina vaticina que o camponês tenha mais apoio para deixarmos de importar até a cebola.
“Há que estabelecer medidas para que o produtor transporte o alimento até o mercado e estimular-se o camponês sem olharmos só e apenas no petróleo como salvação”. Para ela, o apoio do executivo deve extender-se para a fase da colheita, para que Angola a curto prazo seja auto-sustentável.
Por outra, a funcionária pública Palmira Claudeth vê no solo angolano um activo da economia para muitos anos.
“É preciso que os alimentos não se estraguem no campo. Nas grandes cidades o alimento é caro. A redução passa pela injecção de mais alimentos no mercado nacional”. Ela defende a concessão de créditos para escoar-se os alimentos no campo. Outra medida avançada passa também pelo apoio técnico permanente à agricultura familiar. “Temos a sorte de ter um solo rico para a agricultura e também muitas famílias angolanas a trabalharem a terra. É preciso acompanhar e apoiar esta vontade”. A cidadã reforça que, a valorização da produção pode atrair mais gente para o campo.