A operadora de televisão Zap aumentou em cerca de 50 por cento o tarifário dos seus pacotes, desde a passada terça feira(26). Na base das justificativas estão a desvalorização da moeda iniciada em 2014, que dificulta as contas, no que toca a pagamentos a fornecedores em moeda estrangeira.
O preço do pacote ‘Zap Premium’, por exemplo que antes era comercializado a kz 8. 800, subiu para 12. 400, e na mesma percentagem aconteceu para os restantes pacotes.
A equipa de reportagem do JE saiu à rua para conversar com os clientes da referida operadora e a opinião é unânime. Todos os entrevistados não concordaram com a subida dos preços porque até já consideravam caro, e muitos afirmam que vão deixar de utilizar os serviços da Zap.
Para Aguinaldo Raimundo, por exemplo, trabalhador do Ministério do Interior, a subida do tarifário da Zap é um absurdo, atendendo a situação económica que o país atravessa. Para ele, é função do Estado controlar e acautelar situações como estas sob pena de dificultar cada vez mais o nível de vida dos cidadãos angolano.
“ Eu entendo que, quando até o próprio Estado aumenta os emolumentos a mais de 1.000 por cento, não tem como censurar ou penalizar quando uma entidade privada o faz. Mas, neste caso quem sofre é sobretudo a camada mais desfavorecida”, afirmou.
Daniel Kualomba, casado, trabalhador do Ministério das Telecomunicações afirma que é incorrecta a atitude da operadora uma vez que as negociações ainda estão em curso.
“Penso que ainda não existe um acordo entre o Inacom que é o órgão de fiscalização superior e a Zap, e considero que é uma auténtica indisciplina a Zap subir os preços tão rápido, sem aguardar o parecer da entidade fiscalizadora”, considerou.
A funcionária pública Beleza Viante considera a situação lamentável e apela aos organismos do Estado a não permitirem que situações como estas voltem a se repetir. Para ela, a Zap e nenhum outro tarifário que mexe tanto com as contas mensais do contribuinte angolano deve subir, porque já considera o nível de vida alto demais.
“Acredito que mesmo que aumentem os salários, se os preços continuarem a subir deste jeito não vai adiantar, porque o nível de vida vai se manter alto. Deste jeito não vamos a lado nenhum”, lamentou.
Marcela da Costa, casada, mãe de três filhos que também se encontra agastada com a situação, acredita que a Zap não tem razões suficientes para justificar a subida do seu tarifário.
“Estou muito decepcionada e acho até que vou deixar de usar os serviços. Eu por exemplo que uso o pacote premium agora terei de pagar doze mil kwanzas e é muito dinheiro”, lamentou.
António Capemba, trabalhador por conta própria, considera a subida da Zap e de todos os outros serviços um insulto aos esforços que o cidadão angolano está sujeito a passar para sobreviver.
“Falando sério não sei o que pensar e ainda nem parei para analisar esta situação. Mas acho que isso é uma falta de respeito, de honestidade e amor ao próximo, até porque aqui em Angola já pagamos muito caro por esses serviços. Não sei aonde vamos parar”, lamentou.

Zap e inacom em “guerra” aberta
A distribuidora de canais de televisão por satélite ZAP aumentou, na última terça-feira (26), os preços dos serviços relativos aos pacotes Mini, Max, Plus e Premium.
O aumento do preço nos serviços da ZAP deve-se às mudanças registadas na economia nacional, como a desvalorização do kwanza, que tem criado dificuldades no pagamento aos seus fornecedores internacionais, segundo a Angop citando a empresa. A decisão contraria uma disposição do Instituto Angolano das Comunicações (Inacom), que proibiu a operadora, em Janeiro último, de alterar a tarifa de forma unilateral. Com a nova tarifa da ZAP, o pacote Mini para 30 dias, que custava dois mil e 200 kwanzas, passa para três mil e 100 kwanzas, enquanto o Max, que custava Akz 4.400, actualmente custa Akz 6.200. O pacote Premium, que estava no valor de Akz 8.800 passa para 12 mil e 400 kwanzas.
Aquando do anúncio sobre o aumento dos preços nos serviços da ZAP, o Inacom informou ter sido surpreendido e considerou tal decisão como uma “violação à Lei”, por “não ser da competência da ZAP a fixação de preços deste tipo de serviços”.
Na ocasião, o PCA do Inacom, Leonel Augusto, informou que a instituição estava a negociar com as operadoras, os preços de equilíbrio que estejam à altura do bolso dos consumidores e garantam também a sustentabilidade das próprias empresas.

Daniel Kualomba Funcionario público
Penso que ainda não existe um acordo entre o Inacom e a zap, pelo que considero uma autêntica indisciplina a Zap subir os preços tão rápido, sem aguardar o parecer favorável da entidade fiscalizadora

Marcela da Costa Funcionária pública
Estou muito decepcionada e acho até que vou deixar de usar os serviços. Eu por exemplo que uso o pacote premium agora terei de pagar doze mil kwanzas e é muito dinheiro

António Capemba Trabalhador por conta própria
não sei o que pensar e ainda nem parei para analisar esta situação. Mas acho que isso é uma falta de respeito, de honestidade e amor ao próximo, até porque aqui em Angola já pagamos muito caro por esses serviços. Não sei aonde vamos parar

Aguinaldo Raimundo Funcinário público
a subida do tarifário da zap é um absurdo, atendendo a situação económica que o país atravessa. é função do Estado controlar e acautelar situações como estas sob pena de dificultar a vida Ao cidadão

Beleza Viante Funcionária pública
Acredito que mesmo que aumentem os salários, se os preços continuarem a subir deste jeito não vai adiantar, porque o nível de vida vai se manter alto. Deste jeito não vamos a lado nenhum