O sector financeiro angolano tem vindo a registar um crescimento rápido e a proporcionar oportunidades consideráveis, algo que permitiu que o activo dos bancos passasse de 277 mil milhões e 828 milhões de kwanzas, em 2003, para cinco trilhões e 460 mil milhões de kwanzas, em 2011, o que corresponde a uma taxa de crescimento médio anual de 45,1 por cento. Este crescimento colocou o sector bancário nacional como o terceiro maior da África Subsahariana, depois da Nigéria e África do Sul.

Actualmente, actuam no sistema financeiro do país 23 bancos comerciais, dos quais três são detidos pelo Estado, com actividades também no sector de seguros e fundo de pensões, embora ainda pouco expressivas. Por outro lado, uma percentagem considerável deste sector está ligada a grupos bancários portugueses. O mercado apresenta já um nível de concentração elevado, com cinco bancos (BFA, BIC,BPC,BESA e BAI) a dominar com cerca de 75 por cento do volume de depósitos e créditos concedidos.

Oportunidades de crescimento
No que toca às oportunidades de crescimento do sector bancário nacional, estas vão desde o crescimento da expansão da rede de agências e a disponibilidade de canais de distribuição alternativos, a capitalização do crescimento dos níveis de bancarização da população e da classe média, a estrutura de produtos e serviços bancários com maior complexidade, orientados para as necessidades de segmentos de mercados específicos. Além disso, existem também outras oportunidades que podem ser aproveitadas com a alteração do regime cambial do sector petrolífero, que obriga as companhias a depositarem em bancos angolanos os valores para o pagamento das despesas fiscais, o estalecimento de acordos entre entidades públicas e privadas para o desenvolvimento de projectos estruturantes para o país, cuja promoção carece de operações complexas de “project finance”, e ainda a concessão de financiamentos a longo prazo a projectos que suportem o desenvolvimento da economia e da produção nacional.  Adicionados à estas, estão igualmente inclusos, a operacionalização da Bolsa de Valores e Derivados de Angola (BVDA), a continuação da internacionalização dos bancos angolanos e dos sectores de seguros, fundos de pensão e fundos imobiliários, vistos como grandes indicadores de crescimento e desenvolvimento do sector bancário angolano nos próximos anos.

Principais desafios
Entre os principais desafios que este sector enfrenta, está a estratégia que visa atenuar a redução da literacia financeira da população, a melhoria dos processos e procedimentos de avaliação, gestão e monitorização do risco na banca, a formação e qualificação dos recursos humanos, a mitigação das limitações ao movimento de capitais, que facilita o investimento, de formas a ultrapassar as limitações existentes sobre a informação dos clientes, a minimização dos custos associados à expansão da rede de agências em todo país, sobretudo no que respeita às infra-estruturas de suporte destes.