As receitas do Orçamento Geral de Estado (OGE) para 2019 não vão ser mais inferiores que as despesas. Este equilíbrio nas contas públicas vai permitir que, no próximo ano, não haja défice nas contas, contrariando os 2,5 por cento previstos no exercício de 2018. De acordo com a secretária de Estado das Finanças para o Orçamento, Aia Eza da Silva, para tal concretização, o Ministério das Finanças teve de apelar ao rigor e redefinição de prioridades por parte das unidades orçamentais. Aia Eza da Silva explicou que Angola é como um certo individuo que foi endividar-se junto de amigos e vizinhos. Tendo necessidade de voltar a endividar-se, vê-se na obrigação de pagar contas anteriores, para poder receber novo empréstimo, mas mais do que isso salvaguardar a sua imagem de “bom pagador” junto destes. E numa perspectiva de gestão parcimoniosa dos recursos, os ministros e governadores provinciais foram apelados a apresentarem como propostas, som,ente aquilo que é prioritário na sua governação, porquanto as intenções iniciais de realização de despesas colocariam o défice do orçamento em cerca de 10 por cento. Durante a recente sessão de auscultação dos parceiros sociais na Escola Nacional de Administração (ENAD), em Luanda, o Governo admitiu também que o preço de referência do petróleo, no OGE 2019, que entra no Parlamento até 31 de Outubro, conforme fixado por Lei, será superior a 60 dólares por barril, uma vez que as estimativas para o referido ano posicionam o custo do crude numa média entre 68 e 71 dólares. Em 2018, o OGE tomou como preço de referência do barril de petróleo 50 dólares e gerou um excedente às contas de 4 mil milhões de dólares até Setembro. A dívida pública está calculada em USD 70 mil milhões. À margem do encontro com a equipa económica do Governo, o empresário e presidente da Associação de Hóteis e Resortes de Angola, Ramiro Barreira, mostrou-se muito preocupado com uma provável falta de investimentos no sector. Para ele, o Governo deve arriscar um pouco mais, pois as dívidas contraídas devem ser capazes de gerar novos investimentos na economia. Já Antónia Ribeiro, que é a presidente da Federação Angolana de Tennis, entende que é uma questão de confiança e maior diálogo entre o Governo e os parceiros. Conforme disse, as bases para que o OGE possa concretizar os sonhos dos angolanos estão à vista e são bastante realistas. “Deste modo, não restam dúvidas de melhores dias virão e que a economia e seus agentes vão beneficiar de todo o exercício que se está a empreender nesse momento”, disse.