O pagamento regular dos salários que se observa na Função Pública, ao longo destes meses de 2019, é uma nota positiva ao Estado, pois, permite-se assim, que as famílias e as empresas tenham alguma liquidez para as despesas com o consumo.
Este posicionamento do economista e presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino foi manifesto na última terça-feira, no programa Debate livre da Tv Zimbo, que abordou os 100 dias deste ano.
José Severino disse, por outro lado, que a crise financeira instalou-se nas empresas e que há enormes dificuldades, por parte dos empresários, para conseguirem honrar com vários compromissos, incluindo os fiscais.
Segundo ele, “quem vai ao banco hoje, para habilitar-se a um crédito, está a pôr-se uma corda ao pescoço”.
Contudo, o ambiente económico de algum equilíbrio, porquanto há províncias, como Cabinda com um saldo negativo, e outras como Bié, com saldo positivo, e Benguela com saldo estacionário.
“A saída da crise é uma gravidez de 09 meses. Estamos agora na gestação e lá para o final do ano veremos, se teremos já
melhores indicadores”, explica.
No painel do debete esteve também o advogado Inglês Pinto para quem, neste momento, há um crescimento dos direitos cívicos e políticos. “A situação é crítica do ponto de vista económico e social. Precisa-se de algum equilíbrio”, disse.
Inglês Pinto entende que os passos dados pela diplomacia económica são positivos, pois ela se preocupa com a atracção de investimentos no médio e longo prazos. Todavia, a proximidade de períodos eleitorais podem destoar estes passos, pois que, o eleitoralismo exige medidas de curto prazo.
“Os desafios políticos colocam objectivos imediatos e será um exercício de interesses difícil de conciliar”, descreve.
De acordo com o advogado, outra das preocupações que se precisa atender, tem a ver com a segurança jurídica das pessoas e do seu património. Nesta perspectiva, advoga que a reforma da justiça e do direito devem de forma permanente estar na agenda dos decisores, porquanto, os pequenos e médios investidores, neste momento, não se sentem seguros e isso pode travar a intenção de entrada de novos investimentos.
Mas o jornalista e economista Carlos Rosado acha que o Repatriamento foi um “fracasso”.
Para ele, não se está a comunicar à sociedade os resultados deste programa e entrou-se já para a fase coerciva sem antes fazer-se um balanço do que terá resultado da campanha de repatriamento voluntário.
Todavia, Carlos Rosado entende que a questão da educação, neste momento, é mais interessante do que as super medidas macroeconómicas, pois que tudo, segundo diz, resume-se na educação, por dele depender a continuidade dos programas e projectos.
Na sua ilustração, socorrendo-se a dados noticiados pela Televisão Pública de Angola (TPA) e Rádio Nacional de Angola (RNA), é preocupante quando 90 por cento de estudantes da sexta classe, no Cuanza Norte, não sabem ler nem escrever; 70 por cento, no Cunene, estuda em escolas precárias e só 10 por cento de meninos em idade escolar frequentam o ensino pré-escolar.
Deste ponto de vista, Rosado diz que, mesmo que o barril de petróleo suba para 200 dólares, se não prestar-se atenção à educação, continuar-se-á neste estado mau das coisas.