O sector das indústrias culturais em Angola pretende ser peça estratégica no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), através da implantação de uma economia da cultura, anunciou, em exclusivo ao JE, o director nacional das Indústrias Culturais (INIC), António Fonseca.

Diante da crescente troca de experiências culturais que caracterizam as novas sociedades, o recém-empossado director do INIC, a nova e já ampliada versão do então Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), que ficou deste modo extinto, lembrou que a instituição que dirige pretende alargar o seu campo de acção no acompanhamento às actividades culturais. Ele defende, assim, a necessidade de o país caminhar para a combinação de uma cultura de identidade económica. Na sua opinião, tal como acontece em outros países, este sector pode contribuir de forma significativa na balança comercial. Assim, ele aponta como incontornável que o país caminhe para esta direcção.

“Estamos ainda ligeiramente atrasados nesta perspectiva, mas é para lá onde nos encaminhamos”, disse.

Desafios e prioridades

Um dos grandes desafios para a concretização da aposta numa economia da cultura no país passa, na visão do gestor, pela recuperação das empresas públicas do sector cultural. António Fonseca aponta como prioridades as áreas de cinema (Edicine), discos (Endipu) e livros (gráficas e livrarias).

Por outro lado, os parceiros sociais, no caso empresários e promotores, devem, de forma visível, juntar-se aos esforços das autoridades para que este sector possa também ser tido em conta na definição das estratégias de desenvolvimento social e económico do país.

António Fonseca cita, a título de exemplo, que até hoje, nos Estados Unidos da América, as indústrias culturais ocupam o terceiro lugar da sua balança comercial, ultrapassada apenas pela indústria militar e a aeronáutica, o que demonstra o peso deste sector numa economia. Ele recorre ainda nos exemplos de países como o México e a Índia, que apostaram significativamente na indústria cultural como meio gerador de valor acrescentado às respectivas economias e hoje se desenvolveram economicamente por esta via.

“Uma vez que o país aposta na diversificação da economia, a cultura como negócio também dever ser vista como uma alternativa”, defende.

Para tal, fomentar o comércio de bens e serviços culturais se afigura como opção, embora não existam mundialmente consensos sobre a liberalização do comércio de produtos e serviços culturais. E, ao nível da Organização Mundial do Comércio (OMC), as posições sobre esta prática continuam a dividir os países em blocos opostos.

António Fonseca defende, contudo, que estas divergências são superáveis de acordo o interesse dos países, pois que o importante mesmo é conseguir-se uma leitura económica da indústria cultural, que, pela sua própria característica, se desenvolve por via das empresas, e estas não são mais do que produtoras de bens e serviços com a finalidade lucrativa e mercantil, orientada para um consumidor final.

Mercado musical

Uma das grandes alterações que o país precisará efectuar é a passagem do mercado musical em indústria. Para ele, esta passagem faz parte de todo um processo de crescimento desta área. Na actualidade e conforme reconhece António Fonseca, o mercado musical regista um movimento bastante interessante. “Será a dinâmica da procura, que felizmente hoje já se verifica no nosso caso, quem vai fomentar e, logo, determinar o surgimento de uma indústria de CD’s local, para sustentar as necessidades proveniente do mesmo mercado”, augura.

De acordo com a fonte, actualmente a média da produção de discos musicais satisfaz, e os preços praticados podem ser considerados de aceitáveis se avaliados todos os procedimentos que concorrem para o acabamento de uma obra, o que deixa antever, para os próximos tempos, a entrada de novos operadores neste segmento de negócio, podendo abrirem-se novas fontes de financiamentos.