O estudo "Banca em Análise-2010" da consultora Deloitte atesta que o crédito líquido à clientes manteve um crescimento estável e ultrapassou os 1.272 mil milhões de kwanzas

Os particulares representaram 42 por cento do total de crédito disponibilizado pelos bancos comerciais que operam em Angola, cujo valor foi de 2.229 mil milhões de kwanzas. Com isso, os restantes 58 por cento dizem respeito ao crédito a empresas, com destaque para as áreas do comércio, que se situou nos 31 por cento, e a construção com 14 por cento.

Os dados constam do estudo “Banca em Análise-2010” da empresa de consultoria e auditoria Deloitte, que acrescenta ainda, em relação a este ponto, que o crédito líquido a clientes, manteve um crescimento estável que ultrapassou os 1.272 mil milhões de kwanzas.

Com efeito, a repartição do crédito total por Moeda oscilou ligeiramente quando comparada com o ano anterior, dado que relativamente ao ano de 2008 o peso de moeda estrangeira aumentou de 46 por cento para 50 por cento, igualando o peso da moeda nacional.

Para este ano, é previsível que se mantenha a tendência de crescimento do crédito a clientes, embora com alguma desaceleração. De acordo com a análise da Deloitte, as perspetivas a médio prazo são “animadoras” pela previsão de evolução da economia, antecipando para o sector bancário angolano um conjunto de oportunidades, mas também a responsabilidade de constituir-se como um motor desse mesmo crescimento.

Novas dependências

E um exemplo de crescimento do sector bancário angolano é dado pela previsão de abertura, nos próximos dois anos, de 111 novas agências em todo o território, 40 por cento das quais em Luanda e com reforço importante nas províncias da Huíla, Benguela, Malanje e Cabinda.

Depósitos

Recorde-se que na edição passada o JE referiu que, em relação aos depósitos em 2009 o valor total dos clientes foi de 2.357 mil milhões de kwanzas, o que se traduziu num crescimento de 65 por cento.

A estrutura de depósitos por moeda alterou-se devido à preferência pela moeda estrangeira, num total de 54 por cento dos depósitos, enquanto a moeda nacional fixou-se em 46 por cento. Esta alteração resultou, em grande parte, da expectativa de desvalorização do kwanza devido à queda do preço do petróleo no final do ano de 2008 e início de 2009. O valor dos depósitos à ordem situou-se acima dos 1.601 mil milhões de kwanzas, enquanto os depósitos a prazo ultrapassaram os 755 mil milhões de AKZ. Contudo, o aumento da oferta de produtos e o maior grau de maturidade do mercado causou o crescimento do peso dos depósitos a prazo que, em 2008, representavam 18 por cento passando para 32 por cento, em 2009.

O estudo da Deloitte

A quinta edição do estudo da Deloitte dedicada à banca angolana resulta da compilação de informação pública disponibilizada por 16 dos 19 bancos a operar em Angola em 2009 e pelo Banco Nacional de Angola (BNA), além dos dados recolhidos sobre outros mercados, nomeadamente o português, o brasileiro, o sul-africano e o norte-americano.

Os valores agregados do sistema resultam do somatório dos valores de todos os bancos considerados no estudo.

Activos crescem

Em 2009, segundo ainda o documento, o volume de activos agregado dos bancos angolanos cresceu cerca de 30 por cento, principalmente, devido às variações positivas das componentes crédito interno, disponibilidades sobre o Banco Central e aplicações em instituições de crédito.

Quanto à estrutura de activos consolidados, o crédito sobre clientes manteve a tendência de crescimento, aumentando o seu peso na estrutura de 31 por cento para 38 por cento. A componente de obrigações e outros títulos diminuiu o seu peso relativo para 29 por cento, regressando aos níveis verificados em 2007. Contudo, no ano de 2008 esta componente tinha registado um aumento do seu peso relativo resultante da forte emissão de Obrigações do Tesouro, Bilhetes do Tesouro e Títulos do Banco Central.

Relativamente às restantes componentes, interessa destacar a diminuição do peso dos activos remunerados e o aumento da rubrica caixa e disponibilidades, sendo que, no que se refere à componente outros activos não remunerados a dimensão é semelhante em 2008 e 2009. Na estrutura de financiamento do activo verificou-se o aumento dos depósitos de clientes, de 55 por cento para 70 por cento, em contrapartida com a diminuição do peso de outros passivos, de 37 por cento para 20 por cento. Estes valores são justificados pelo crescimento da captação de fundos de clientes e, por outro lado, pela diminuição de recursos de outras instituições de crédito.

No que respeita à componente de fundos próprios e provisões genéricas, o respectivo peso na estrutura de “funding” aumentou de 7 port cento para 10 por cento entre 2008 e 2009, devido ao maior risco da estrutura de activos.

O ano de 2009 foi ainda marcado pelo crescimento do crédito líquido de clientes. No entanto, este crescimento foi inferior ao registado no volume de depósitos, o que justifica a diminuição do rácio de transformação de 56 por cento para 54 por cento.

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