A proposta do Governo que pretende perdoar juros e multas de impostos foi remetida à Assembleia Nacional para a sua apreciação. O que os cidadãos pensam da medida?
O técnico de contabilidade Francisco Panzo disse que, com o perdão fiscal, as empresas vão ter tempo para se organizarem e pagar os futuros impostos com regularidade, mas, ainda assim, o Governo deve apostar na informação e sensibilização, para evitar outras situações desta natureza.
“É uma boa iniciativa, cabe aos empresários honrarem com os seus deveres junto das Repartições Fiscais, para pagarem os impostos doravante”, disse.
Evaristo da Silva, supervisor de vendas, disse tratar-se de uma boa medida da parte do Estado, visto que, por causa das dívidas, muitas empresas faliram. “A condição de devedor da Administração Geral Tributária, por parte das empresas, foi causada pelo Estado, ao pagar tardiamente os serviços prestados” afirmou.
Já o funcionário público Gonçalo António entende que o impacto da aplicação deste perdão é ainda desconhecido. Mas, acredita que, neste caso, há um estímulo para que os incumpridores possam cumprir, até porque algumas disposições dos novos códigos tributários são favoráveis ao contribuinte.
Por sua vez, o estudante de direito Mauro de Oliveira diz fazer sentido, o Estado perdoar a dívida passada, uma vez que, assim, pode ter mão pesada sobre os infractores no futuro.
O economista José Gaspar é de opinião que, embora sendo uma intenção do Estado, deve-se olhar para duas vertentes. “Espero que, com essa boa iniciativa do Governo, as empresas tomem um outro rumo e cumpram com os seus deveres com o Estado”, aconselhou.
O empresário André Alfredo acredita que, com essa medida, muita coisa irá mudar no sector empresarial, uma vez que muitas empresas fecharam devido a crise económica que assola o país.
“Os empresários estão de mãos atadas, sem saber o que fazer. Não tem lógica o Governo aplicar multas ou cobrar impostos”, afirmou.

Evaristo da Silva
Supervisor de Vendas

A condição de devedor da AGT por parte das empresas, foi causada pelo Estado, ao pagar tardiamente os serviços prestados

Francisco Panzo
Técnico de contabilidade
É uma boa iniciativa, cabe aos empresários honrarem com os seus deveres junto das repartições fiscais, para pagarem os impostos doravante”

André Alfredo
Empresário
Os empresários estão de mãos atadas, sem saber o que fazer. não tem lógica o governo aplicar multas ou cobrar impostos

Mauro de Oliveira
Estudante de direito
o Estado deve perdoar a dívida passada, uma vez que assim pode ter mão pesada sobre os infractores no futuro

José Gaspar
Contabilista
há que se olhar em duas vertentes. No campo empresarial, será um benefício para as empresas, vão considerar um imposto não pago. Mas para o Estado, o perdão fiscal é considerado um risco, uma vez premeia o mau pagador

Gonçalo António
Funcionário público
neste caso, há um estímulo para que os incumpridores possam cumprir, até porque algumas disposições dos novos códigos tributários são favoráveis ao contribuinte



Arrecadar cada vez mais imposto não petrolífero

A receita fiscal não petrolífera atingiu o valor de 898 mil milhões de kwanzas no primeiro semestre deste ano, representando um aumento de 18 por cento em relação ao período homólogo de 2017. Esse aumento na colecta é resultado da adopção, nos últimos anos, de tecnologias  de informação no sistema de  tributação. Com um programa  de modernização dos serviços  prestados aos contribuintes, promoção do alargamento da  base tributária e potenciação  da arrecadação de receitas não petrolíferas, a Administração Geral Tributária (AGT) continua a investir em tecnologias de informação, de forma a tornar os serviços mais céleres e eficazes. Actualmente, a AGT controla 48 Repartições Fiscais, 79 fronteiras terrestres e 36 Postos Aduaneiros pelo país.