A construção do Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo representa um investimento de 77 milhões de dólares, correspondendo a fiscalização da sua execução a um investimento complementar de dois milhões e trezentos mil dólares.
Localizado a Norte da cidade de Saurimo, este Pólo de Desenvolvimento Diamantífero, que já está em construção, tem como objectivo principal reunir num só espaço empresas relacionadas com a economia mineradora, com foco na cadeia de valor dos diamantes, e oferece as infra-estruturas adequadas para o desenvolvimento desta actividade.
O Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo, cujas características são as de uma Zona Económica Especial, vai criar um conjunto de oportunidades de investimento privado para nacionais e estrangeiros. A par da instalação de empresas e de negócios directamente ligados ao sub-sector diamantífero, em particular, e ao sector mineiro em geral, é também seu objectivo a formação e a capacitação de quadros, com a implantação de dois importantes centros – um especializado em classificação e avaliação de diamantes, da responsabilidade da Sodiam; outro especializado em gemologia, geologia, estudos e projectos, da Endiama.
A área comercial é constituída por um núcleo que integra lojas, restaurantes, bancos, repartições fiscais, escritórios, centro de convenções e os dois centros de formação.
A área industrial é de acesso controlado, conta com segurança reforçada e é composta por 26 lotes de diferentes dimensões destinados à implantação de fábricas, plataformas logísticas e entrepostos aduaneiros do ramo da mineração e não só. Num dos lotes está prevista a construção duma fábrica de lapidação de diamantes e nos restantes quatro serão construídas naves industriais de 750m² para arrendamento.
Nos restantes lotes, inteiramente destinados à iniciativa privada, poderão ser integrados outros empreendimentos industriais inerentes à indústria diamantífera, nomeadamente fábricas de lapidação.
Um dos aspectos relevantes deste Pólo é a sua autossuficiência energética, que será garantida pela construção de uma estação híbrida (solar e térmica), por forma a torná-lo independente do funcionamento da rede local.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Sodiam, Bravo da Rosa, este projecto representa “a aposta e o empenho que Angola, através do seu Executivo e das suas empresas, está a colocar no bom desenvolvimento do sector diamantífero nacional. Um sector cuja regulamentação foi revista por forma a atrair os maiores e os melhores players internacionais”. O mesmo responsável sublinha que “queremos implementar e desenvolver em Angola projectos relevantes no sector diamantífero, com os melhores e mais sólidos parceiros nacionais e internacionais, com vista a que o país seja um mercado respeitado e influente neste domínio”.

Sector mais dinâmico
Na abertura da 1.ª Conferência e Exposição Internacional sobre o Sector Mineiro Angolano, que decorreu ontem e anteontem, o Presidente da República, João Lourenço, considerou o potencial geológico bastante promissor, destacando o esforço do Governo para tornar o sector “mais dinâmico e atractivo”.
De acordo com o chefe de Estado, além do Plano Nacional de Geologia, que visa aumentar o conhecimento geológico e melhorar a infra-estrutura técnica e laboratorial de suporte às actividades mineiras para criar “mais condições para este sctor fundamental” para a economia angolana, o Governo pôs também fim ao monopólio na actividade, com um novo enquadramento legal para a comercialização destas pedras preciosas, e pretende criar uma bolsa de diamantes.
Além das quatro fábricas de lapidação de diamantes já inauguradas este ano, o Presidente da República apontou o surgimento de mais fábricas de lapidação e produção de jóias no pólo de desenvolvimento do Saurimo- Lunda Sul, que irá criar “mais empregos para os jovens”, contando com um centro de formação de avaliadores e lapidadores e uma escola técnico-profissional para técnicos
de mineração.
O Presidente angolano reafirmou o seu empenho no combate ao garimpo ilegal, por ser “lesivo” aos interesses económicos do país, sobretudo com impacto negativo ao meio ambiente.