O Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, Carlos Bayan Ferreira, aconselhou o Governo português a aumentar as linhas de crédito para Angola, como forma de ajudar as empresas portuguesas a aumentarem os investimentos e contornarem a crise.

“Existe um imenso potencial por explorar em Angola e os portugueses são privilegiados no relacionamento com Angola. Seria uma boa medida do Governo Português aumentar as linhas de crédito para Angola porque há forte capacidade de compra e tudo para crescer e fazer. Esta medida só ia ajudar as empresas portuguesas a aumentarem a fatia de exportação para Angola e, assim, contornar a crise”, disse Bayan Ferreira durante uma conferência realizada no Porto.

Na conferência, em que participaram empresários portugueses, numa promoção do Banco Bic Português, Bayan Ferreira disse serem vários os factores que ­levam as empresas portuguesas a apostar em Angola. Apontou a actuação em contra-ciclo da banca angolana em relação aos mercados financeiros globais, financiando grandes projectos, e o facto de ser o país africano melhor preparado para receber investimentos e para fazer face à falta de liquidez internacional, ao contar com 20 biliões de dólares de reservas. “Face a estes dados, pode dizer-se que apostar em Angola representa uma forma de contornar a crise financeira actual”.

O país do momento

Bayan Ferreira recordou que Angola é o país do momento, quando se fala em investimento, mesmo que o crescimento do PIB, em 2009, venha a registar um ligeiro abrandamento em relação às taxas dos anos anteriores, fixando-se em 11,8 por cento. O arrefecimento será mais notório no sector petrolífero, onde se perspectiva um crescimento de apenas 5,9 por cento, um reflexo da redução esperada no preço do barril de petróleo e agravado pela redução da produção.

Explicou que, em compensação, as actividades agrícola, pecuária, pescas e indústria transformadora têm um grande peso no crescimento angolano para 2009.

Só o sector industrial registou, em 2008, um crescimento que rondou os 350 milhões de dólares, resultado de um maior envolvimento do sector privado na economia real do país. Também a agricultura tem um grande peso na economia, contribuindo para 8 por cento do PIB, e tem registado um crescimento médio de 38 por cento, desde 2001.

Voto de confiança

Não obstante os estudos realizados em torno da performance da economia angolana, o Banco Mundial não reviu em baixa os projectos de financiamento, o que se traduz num voto de confiança no país e na sua economia. Em 2008, houve uma subida de 33 por cento das exportações de Portugal para Angola, que, em 2007, registaram um crescimento de 50 por cento e, em 2006, de 40 por cento.

Para este ano, o Governo angolano, além da aposta na estabilidade macro-económica, na diversificação das estruturas económicas, na melhoria da qualidade de vida e no desenvolvimento humano dos angolanos, vai ainda criar estímulos ao desenvolvimento do sector privado e mais apoios ao empresariado nacional. Uma realidade macro-económica que propicia o investimento luso, na opinião do presidente da Câmara de Comércio Portugal Angola.

As empresas portuguesas já estão a assumir um papel de relevo na implementação de actividades industriais e agrícolas em solo angolano. Bayan Ferreira revelou que, numa primeira fase, os investimentos de capitais portugueses centravam-se na área dos serviços, mas actualmente há diversas empresas industriais a serem montadas e outras a funcionar em zonas como Viana, Lobito ou Huambo.

Embora Angola ainda importe materiais de construção, empresas constituídas por capitais luso-angolanos já produzem quantidades significativas desses materiais internamente. A cadeia logística não é perfeita mas apresenta-se como uma oportunidade, segundo Bayan Ferreira.