Quem visita a secção dos quitutes (comidas típicas da terra) dos hipermercados Candando I e II farta-se, pois a oferta é tão ampla que as vezes perde-se a noção do custo dos produtos em montra.
Mas tal é a disposição das iguarias tradicionais, que do katatu (bicho silvestre comestível) à kitaba (ginguba triturada com ou sem picante), o cliente tem de tudo para garantir uma mesa à moda de qualquer das regiões angolanas.
A estas, juntam-se as frutas nacionais que não se deixam ofuscar pelas importadas, pois competem em preço, quantidade e qualidade.
O mangostão e o manjericão são duas da mesma família, que postas ao lado da maçã do Lubango e da banana de Caxito dão colorido à secção “frutas e aperitivos”. Talvez ao calor do fim-de-semana, aquando de nossa visita, foi visível uma afluência alta às áreas dos produtos nacionais, justificada, quiçá, pelo facto de os dias de sábado e domingo serem os de reunião da sentada familiar.

A corrida pela fúmbua

Dona Lúcia Kiala e família, mesmo influenciados pela nova Urbanização, desde que decidiram residir na Centralidade “Vila Pacífica” no Zango, em Luanda, não abdicaram das suas raízes. A culinária típica da região Norte (compreende as províncias do Uíge, Zaire e Cabinda) tem parte e sorte na ementa semanal.
Foi ela, mais o esposo e três filhos, quem convidou a equipa a experimentar saborear uma boa fúmbua, macaiabo e quicuanga no lugar do pirão. Como diz, a bebida pode ser a quissângua.
Apesar da oferta dos supermercados, a funcionária pública diz que é nos mercados do Km 30, em Viana, e do Catinton, na Maianga, onde requisita os ingredientes que ao menos duas vezes no mês sobem à mesa familiar. Quando com tempo e disposição, diz ser o mercado dos kwanzas, imediações da Petrangol, onde há mais oferta e com preços mais baixos.
“Tenho comprado a fúmbua de 1.500 kwanzas, um quilo de muamba de mil, peixe bagre seco fumado de mil, ao que adiciono o tomate maduro, cebola, folha de louro. São uns 25 minutos e já está”, conta.
Tal como prometeu, numa próxima vez, fica o compromisso de dispor à nossa viagem gastronómica a sacafolha com molho de mafuta, este prato típico já mais da parte de Cabinda, onde o tumbuaza (bebida típica) poderá fazer o molhar da garganta de quem aprecia as soluções da adega nortenha. Sobre a razão da escolha deste ou daquele local para comprar os ingredientes é apenas o preço de oferta.
Para ela, a escolha da ementa é influenciada pelo dia da semana.
“No fim-de-semana há mais tempo e a família, geralmente, está reunida num só local”, disse.