A contratação de serviços de assessoria pelo Estado, em 2019, para fins diversos, vai ser paga com receitas provenientes da privatização em Bolsa das empresas. No Orçamento Geral do Estado (OGE/2019), cuja proposta está em análise na especialidade da Assembleia Nacional, está destinado um valor de 395,5 milhões de kwanzas, 3,5 por cento do total.
Esta semana, no fórum do Mercado de Capitais, uma organização do Jornal Mercado, o presidente do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Valter Barros, disse que pelo menos 15% das receitas a serem arrecadadas com a privatização de mais de 50 empresas via bolsa de valores servirão para custear os serviços de consultoria e prestação de serviços a contratar em 2019.
“Algumas empresas estão em condições, outras precisam de ser reestruturadas, um processo que já teve início”, explicou.
Segundo Valter Barros, uma das prioridades do Estado neste processo de privatizações deverá incidir também na banca onde tenha participação parcial.
Nesta fase, não deverão constar da lista das privatizações empresas dos sectores de energia e águas, tendo em conta os serviços públicos sociais que prestam à sociedade.
Com base no programa de privação em curso no país, Valter Barros disse estar em avaliação um leque de empresas, com destaque para as do grupo Sonangol que não fazem parte do seu “core business” serão privatizadas na primeira fase do processo.
Outras empresas públicas e com a participação do Estado estão a ser avaliadas para serem privatizadas na primeira ou nas fase subsequentes do processo.
Por outro lado, os Organismos de Investimentos Colectivos (OIC), com um valor líquido actual de Kz 50 mil milhões, poderão aumentar a sua participação no financiamento da economia nacional, com entrada em funcionamento da bolsa de valores, no segmento da dívida corporativa.

Fundos e sociedades
Com apenas 10 fundos e duas sociedades de investimentos, o aumento destas iniciativas poderão aprofundar a sua participação no mercado de valor mobiliário e na economia nacional, segundo o director do Gabinete de Estudos Estatísticos do Ministério das Finanças, Osvaldo João.
Osvaldo João, que falava na abertura do segundo fórum de Mercados de Capitais, destacou que a capacidade das sociedades de investimentos vai contribuir para a dinamização da economia real em função dos fundos de investimentos ligados ao arrendamento habitacional, loteamento, exploração agrícola, pecuária, rentabilidade urbana e a exploração industrial.

Valores mobiliários

O mercado de valor mobiliário angolano poderá contribuir de forma decisiva para o relançamento da economia nacional.
Para Osvaldo João, este segmento económico tem condições para pôr à disposição dos empreendedores soluções de financiamento ajustadas aos seus projectos através de instrumentos de dívida e de capital.
Os requisitos de boas práticas de governo das sociedades obrigam as empresas a se financiar no mercado de valores mobiliário e uma permanente comunicação com os investidores, uma transparência no relato financeiro e nas tomadas de decisão que se traduz em eficácia, eficiência e sustentabilidade.
Nos financiamentos através da bolsa, os empreendedores remuneram os investidores, estimulam a poupança e beneficiam os trabalhadores.
Afirmou que a economia angolana começa a entrar numa fase de estabilidade, inversão de um ciclo recessivo, onde estão reunidas as condições para o investimento privado em todos os sectores.
Para isso, o Executivo aprovou a Lei da Concorrência, a revisão da Lei do Investimento Privado e o processo de consolidação fiscal patente na proposta do OGE/2019.

BFA factura
69 mil milhões de kwanzas em 2017 e sobe 11%

O resultado líquido do Banco de Fomento Angola (BFA), em 2017, demonstra uma subida de 11 por cento, posicionando a receita em 69 mil milhões de kwanzas, contra os 61,9 mil milhões de 2016.
Conforme o Relatório & Contas, o Banco de Fomento Angola cortou 21 postos de trabalho, em 2017, num ano em que voltou a não inaugurar novas agências, mantendo-se com os 191 balcões que já trazia desde 2015. Dos 2.632 colaboradores de 2016, no balanço de 2017, ficaram apenas 2.611 (-21). Em 2015, o BFA controlava 2.610 colaboradores.

Opções são multicaixas
Um dado de referência, enquanto os balcões estagnaram, os cartões de débito (multicaixa) cresceram 2,2 por cento. Passou-se dos 57,6, de 2016, para os 58,9 por cento, em 2017. Já os utilizadores do BFA net reduziram de 37,2 por cento, em 2016, para os 28,4, em 2017. Em 2015, estes canais obtiveram uma taxa de penetração de 40,4 por cento.

Clientes depositam menos
O relatório & Contas diz ainda que o BFA, em 2017, recebeu menos depósitos dos clientes, ao baixar dos 1.07 biliões de kwanzas, de 2016, para os 1.05 biliões, em 2017. Esta situação justifica o facto de o banco ter cedido menos créditos aos clientes. Em 2017, apenas foi dado em crédito 194.8 mil milhões de kwanzas, 17,2 por cento abaixo dos 235,3 mil milhões de kwanzas registados em 2016.
No final do balanço, o banco soma um activo de 1,4 biliões de kwanzas e subiu 9,9 por cento em relação aos 1,3 biliões de 2016, que já era superior quando comparado aos 1,2 biliões em activos registados em 2015.
Ao que se pode compreender da leitura do balanço do banco é o facto de os receios de conceder mais créditos, originados por menos depósitos recebidos, também são forçados pelo crescente crédito em mora. O crédito clientes vencido no BFA chegou aos 6,1 por cento, quando em 2016 era apenas de 4,7 por cento. IL

Atlântico aposta no crédito

O Banco Millennium Atlântico concedeu aos clientes um valor de 24 mil milhões de kwanzas, entre Junho e Setembro deste ano, segundo o balancete trimestral da instituição publicado na sua página de internet.
Os números da actuação da banca angolana em 2017 constam da 13ª edição do estudo “Banca em Análise” apresentado em meados desse ano, em Luanda, indicaram que o valor total das 28 instituições bancárias em operações ascendeu, no período, a 10,129 mil milhões de kwanzas.
Segundo o documento, o resultado líquido da banca angolana registou em 2017 um decréscimo de 6% em relação a 2016, tendo atingido a faixa dos 158,9 mil milhões de kwanzas.
O total do crédito líquido a clientes, diz a Deloitte, ascendeu a 3,1 biliões de kwanzas, “o que corresponde a uma redução de 3% face ao ano de 2016”.
Nesse domínio, os bancos de Poupança e Crédito (BPC), Millennium Atlântico (ATL), Angolano de Investimentos (BAI), Internacional de Crédito (BIC) e o de Fomento Angola (BFA) lideraram a concessão de créditos.
De acordo com as demonstrações financeiras do “Banca em Análise 2017”, em relação ao crédito vencido, registou-se um aumento significativo para os 40,2%, quando em 2016 foi cerca de 13%. IL