A questão relativa a manutenção da elevada procura por cambiais, no entender do economista Paulo Ringote, está ligada a estrutura da economia, a composição da absorção nacional e ainda a questão relacionada com a fraca oferta de determinados serviços sociais (saúde e educação), no que respeita ao binómio preço-qualidade.
Para ele, a redução da procura por cambiais passa fundamentalmente pela alteração do padrão do consumo nacional. “É necessário substituir muitos dos bens de consumo importados, integrantes do cabaz alimentar médio dos cidadãos, por bens produzidos localmente”, disse.
Esta medida, segundo disse, deverá fazer com que haja alteração dos hábitos alimentares, ou seja da nossa dieta, etc.
Apesar de não se vislumbrarem como medidas de fácil adopção, para o economista competirá ao Estado a adopção de medidas de política, que contribuam para a moldagem do comportamento dos cidadãos. “Aqui o sistema fiscal pode jogar um papel importante”.
Numa outra perspectiva, segundo disse, a oferta actual de cambiais pelo banco central, e no primeiro quadrimestre, corresponde apenas a cerca de 50 por cento da média da oferta de cambiais dos anos 2011-2014 para igual período, o que espelha bem a incipiência da oferta de divisas no mercado de câmbios. Todavia, esta redução poderá ter outro significado económico, se a mesma corresponder a reais necessidades de pagamentos sobre o estrangeiro, assim como para a importação de bens de consumo necessários.
Paulo Ringoete admite que as kinguilas “são agentes do mercado cambial que procuram aproveitar as falhas existentes neste mercado, arbitrando o valor da taxa de câmbio e ganhando de acordo com as oportunidades existentes. O negócio do câmbio existe em todas as economias de mercado! O que se recomenda é a sua regulação e controlo”.
Para ele, a preocupação do mercado e seus agentes está relacionada com a escassez de divisas no mercado oficial e o aparecimento das mesmas no mercado informal! Sem que advoguemos o“combate sem quartel” das kinguilas, “o que é necessário, é garantir a oferta necessária e suficiente de divisas para a satisfação das necessidades daqueles que a procuram”.