Dados divulgados no estudo sobre desempenho do sector imobiliário atestam que a população de Luanda deverá atingir a cifra de 14,5 milhões de habitantes até 2025.


Um estudo do sector imobiliário correspondente ao ano de 2011, levado a cabo pela empresa Abacus, indica que os preços de aluguer e compra de apartamentos ou vivendas na província de Luanda continuam, ainda, a ser muito altos. Os bairros Marginal, Miramar e Cruzeiro no município da Ingombota são as localidades que se destacam.

Por exemplo, a venda do metro quadrado de um apartamento novo custa entre oito mil a 12 mil dólares americanos, enquanto o arrendamento ronda entre 10 mil e 20 mil dólares por mês. A venda do metro quadrado de apartamento antigo custa entre 3.300 a 6.700, numa altura em que o arrendamento por mês está avaliado entre cinco mil a 15 mil dólares.

Sul de Luanda

Na zona Sul de Luanda (Talatona), o metro quadrado de um apartamento novo custa cinco mil dólares e o arrendamento por mês, varia entre 3.900 a seis mil dólares norteamericanos. No que se refere a vivendas, a venda do metro quadrado varia de 4.800 a 10 mil dólares e o arrendamento por mês ronda entre quatro e 12 mil dólares.

A Abacus considera que nas zonas do Alvalade, Bairro Azul, Maculuso (Maianga) e na Vila Alice (Rangel), o metro quadrado de um apartamento novo custa entre 1.700 e sete mil dólares e o arrendamento mensal vai de dois mil a 12.500 dólares. Para os antigos apartamentos, a venda do metro quadrado vai de 1.700 a 4.500 dólares, enquanto o arrendamento por mês do apartamento ronda entre 2.500 e seis mil dólares.

O metro quadrado de uma moradia varia entre 2.500 e cinco mil dólares e o arrendamento por mês custa entre 10 mil e 25 mil dólares.

No município de Viana, o metro quadrado de um apartamento custa entre 1.700 e 4.500 dólares e a renda mensal está fixada entre 1.000 e 3.500 dólares. A moradia ronda entre 2.500 e cinco mil o metro quadrado e o arrendamento de um apartamento por mês vai de 10 mil a 25 mil dólares.

Norte de Luanda

Na zona Norte da província, o custo do metro quadrado de um apartamento situa-se em 4.200 dólares a venda e o arrendamento mensal está cotado entre 1.500 e seis mil dólares. No Camama (Kilamba Kiaxi) e Benfica (Samba), o metro quadrado está entre 2.500 e 4.500 mil dólares a venda. O arrendamento por mês está fixado entre os dois mil e 5.500 dólares. Quanto ao custo da vivenda, o metro quadrado custa entre 3.200 e 5.500 dólares e o arrendamento varia entre os dois mil e 5.500 dólares. Quanto ao arrendamento de residências, o estudo revela que Luanda se caracteriza por uma falta de oferta de espaços adequados a escritórios para empresas.

Estimativas

O documento a que o JE teve acesso, destaca que em 2025, a província de Luanda terá uma população estimada em cerca de 14,5 milhões de habitantes, o que representará 54 por cento da população angolana. Por isso, a Abacus alerta para a necessidade de alterar-se a estrutura arquitectónica de Luanda, para suportar o crescimento previsto.

O documento revela ainda que o sector imobiliário angolano continua a centrar-se “exclusivamente” na cidade de Luanda e numa fase de crescimento.

Carência

A Abacus destaca que a elevada procura que se regista no mercado imobiliário tem “provocado” o aumento do lucro e o monopólio, apesar do crescimento da oferta em alguns segmentos do sector.

“O mercado residencial caracteriza-se por escassez de oferta residencial para venda e principalmente para o arrendamento no que respeita ao segmento médio e médio alto”, frisa.

Quanto aos custos elevados, a empresa salienta no seu relatório que estão associados à transacção de propriedade, com ênfase ao capital inicial para a aquisição de activos imobiliários. Os poucos terrenos com escritura colonial, os custos dos materiais de construção também têm contribuído negativamente para a carência dos imóveis.

A promoção imobiliária, em Angola, com realce para a província de Luanda, pode demorar entre quatro e seis anos, desde o momento da posse da terra, até à construção do projecto imobiliário.

A Abacus avança que o modelo de negócio da promoção imobiliária no sector vai mudar. Segundo salienta o documento, os promotores, financiavam os seus projectos com recursos à venda em planta e em capital bancário.

“A redução da venda em planta é já uma realidade, por isso, a comercialização e o marketing dos produtos terão, cada vez mais, uma maior expressão e importância no mercado imobiliário angolano”, sublinha.

O documento esclarece também que em paralelo com outros mercados internacionais, a “nova” realidade vai seleccionar os intervenientes do mercado, o que poderá afectar o “comportamento” da procura e a sua decisão.

Mudanças

O relatório indica que o mercado residencial angolano, especialmente o da “grande Luanda” se encontra “bastante” activo, apesar de enfrentar um “enorme” desafio, já que os compradores exigem a qualidade no produto final, numa altura em que, em alguns casos, os projectos imobiliários são vendidos na “planta”.

Outra grande mudança que vai afectar “transversalmente” o mercado imobiliário angolano, incluindo promotores, banca, consultores e todos os seus restantes agentes relaciona-se com a política de contratação da área empresarial.

Perspectivas

Em 2010, o mercado imobiliário registou um aumento na oferta em alguns segmentos, “experiência” que se perspectiva continuar em 2011.

O relatório da Abacus sublinha que o segmento imobiliário é um dos “mais difíceis” da actividade económica e representa maiores “riscos”, porque as alterações verificadas nos últimos dois anos têm tido uma influência determinante no resultado final. Esta tendência vai obrigar as empresas dos sectores a encontrarem políticas capazes para suportarem as eventuais alterações que se poderão verificar neste segmento.

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