macroeconomia se ocupa de compilar e acompanhar através de indicadores agregados, a actividade económica de um país ou região. Além dos 4 indicadores fundamentais do pulsar de umaeconomia, nomeadamente : a inflação, o déficit orçamental, o crescimento do PIB e, o saldo das contas externas, a macroeconomia ocupa-se igualmente do ambiente de negócios, dos níveis das taxas de juros, e da taxa de cambio. Contrastando estes indicadores com a realidade empírica recente, verificamos que maior parte dos mesmos vêm apresentando fraco desempenho, sobretudo nos últimos anos. Parte das causas estão identificadas, e por isso conhecidas. Pelo acima referido podemos afirmar que o quadro macroeconómico atual não é dos melhores. Todavia temos esperanças de melhorias, a contar com as medidas económicas em curso e as demais acções de carácter estrutural em execução por parte do executivo, pelo que, para 2019 perspectiva-se uma quadro macroeconómico melhor, sobretudo pela perspectiva de geração de superavits nas contas fiscais e, o impacto destas na economia.

Inflação
A inflação é semelhante a dor de cabeça, ou ao aparecimento repentino de febre num individuo, e indicia que algo não vai bem com a saúde do mesmo. Sendo a inflação, eas crises económicas,fenómenos inerente às economias de mercado, existem, todaviaumbrais mínimos para aferição se a mesma poderá, ou não, ser considerada como aceitável. Os níveis satisfatórios de inflação anual , são aqueles inferiores a taxa se situe abaixo 5% , ou quando muito, taxas anuais que não ultrapassem um dígito (9%portanto). No período a que se refere a sua questão, a taxa de inflação angolana passou de 42% em 2016, para uma expectativa inferior a 19% em 2018. Estes níveis de inflação, devem ser considerados como elevados, se tivermos em conta que em 2014 Angola registou o seu nível de inflação mais reduzido desde a adoção da economia de mercado, tendo atingindo uma taxa de inflação de 7,3%.
A redução da taxa de inflação no período referido, não está associada ao crescimento económico e a criação de empregos, antes pelo contrário. A economia de Angola vem registado retrações, desacelerações, até mesmo recessões, pelo que, a redução da taxa de inflação, está mais relacionada com este segundo cenáriode estagnação económica, o que não é um bommenu para os nossos concidadãos. Assim, a redução da inflação configura mais uma situação forçada da actividade económica, do que benefícios e frutos virtuosos da política económica.

Taxa de câmbio
A convergência cambial sempre se afigurou como um objectivo a ser alcançado. O regime de cambio flutuante é o recomendável para as económicas de mercado. Sempre que abordo esta questão, não posso deixar de fazer menção à tese de Milton Friedeman (Prémio Nobel da Economia) de 1953 sobre o tema . Lá encontramos os antídotos para exorcizar todos os temores que eventualmente tenhamos sobre a matéria.Paul Krugman, num artigo seminal de 1979, apresenta muito bem a relação entre a taxa de cambio fixa, a oferta de moeda nacional e o respectivo impacto sobre a redução dasreservas internacionais, pelo que, todos os investigadores e mesmos os analistas económicos recomendavam a necessidade da convergência cambial.A crise económica mundial do final do século 20, que se deu grandemente no continente asiático, teve como substrato os regimes de taxas de cambio fixas. Hájá um grande aprendizado histórico sobre esta matéria.Seguidamente será necessário que as autoridades sinalizem o mercado sobre a manutenção deste regime cambial (o flexível portanto), podendo, eventualmente, e por antecipação, adoptar-se um sistema de mini desvalorizações permanentes (que na América latina apelidou-se por “tablita”), na medida em que será necessário perseguir-se sempre uma taxa de cambio real deequilíbrio, e não meramente preocupações com a taxa de cambio nominal. É a taxa de cambio real que influencia o padrão do comercio internacional, assim como de consumo e investimento dos agentes económicos. No ajustamento permanente da taxa de cambio real, que recomendamos, será necessário depurar-se também d modo permanente os “drivers” do sector petrolífero sobre mesma, que muito contribuem para a sua sobrevalorização. Estamos a referirmos a uma política de perseguição de um nível de taxa de cambio efetiva-real-estrutural não sobrevalorizada.

Reservas
A redução do recurso das RIL, reflete a redução da procura de divisas, no mercado de câmbios que, tem como causas, entre outras a convergência cambial (eliminação das oportunidades de arbitragem e realização de lucros injustos), a mudança de comportamento dos agentes económicos, mas também, o estreitamento das margens da actividade económica, dadas pela desaceleração e recessão económica que a económica angolana recentemente viveu.
A redução da procura por cambiais passa fundamentalmente pela alteração do padrão do consumo nacional. É necessário substituir muitos dos bens de consumo importados, integrantes do cabaz alimentar médio dos cidadãos, por bens produzidos localmente. A alteração do padrão de consumo deve significar também a alteração dos hábitos alimentares, ou seja da nossa dieta, etc. Apesar de não se vislumbrarem como medidas de fácil adopção, todavia competirá ao Estado a adoção de medidas de política, que contribuam para a moldagem do comportamento dos cidadãos. Aqui o sistema fiscal pode jogar um papel importante.

Acesso às divisas
Sem prejuízo dos benefícios que o entesouramento de divisas proporciona, os agentes económicos participantes do mercado de cambio fazem-no igualmente com o intuído de maximização dos seus benefícios e lucros. Assim num contexto de retração da actividade económica é de esperar a redução da procura agregada e, com esta o estreitamento das margens comerciais das empresas, que serve igualmente para explicar a redução na procura de divisas. Por fim, não devemos deixar de assinalar as medidas tomadas pela autoridade cambial, no sentido quer de restringir, assim como de monitorar mais de perto o acesso ao mercado de câmbios oficial, também contribuiu pela para a redução da procura de cambiais.

PerguntaS & respostaS

Como fazer do crédito bancário um vector para o desenvolvimento do sector primário e de geração de emprego ao nível nacional??
A judiciosa gestão da política monetária recomenda que a concessão de crédito à economia deve obedecer a determinados limites, dado o impacto desta variável sobre o mecanismos de expansão monetária e, consequentemente, a sua relação com a inflação.
As estatísticas monetárias e financeiras recentemente disponibilizadas pelo Bancen (Abril de 2018), confirmam a afirmação subjacente na questão.  O valor do crédito à outros sectores residentes foi de3.667.665 milhões de kwanzas. Trata-se de um montante significativo.

O que seria de todo importante considerar?
Outrossim é necessário incorporar na análise a história recente da concessão de crédito, e sobretudo, o crédito mal parado existente na carteira de crédito dos bancos. Ao longo dos últimos 10 anos, houve, em média um crescimento do crédito à economia, apesar de, as taxas anuais de crescimento do crédito terem sido sempre acompanhadas por iguais taxas de crescimento do crédito vencido ou mal parado. Este crédito  esteve maioritariamente concentrado em atividades não produtivas com impacto reduzido sobre o crescimento económico, nomeadamente sector de “Outras actividades de Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais” os sectores de “Particulares” , “Comércio por Grosso e a Retalho; Reparação de Veículos Automóveis, Motociclos e de Bens de uso Pessoal e Doméstico”. É necessário incorporar as informações do “mal parado” do Banco de Poupança e Crédito e sobretudo, não perder de vistas o impacto do mal parado que esteve na origem da resolução em 2014,  do Banco Espírito Santo Angola.


Estes dados e a informação histórica recomendam, à banca uma gestão criteriosa da carteira de crédito.
Uma análise diametralmente oposta está relacionada com o crédito concedido ao sector público (excluindo administração central), que registou um crescimento medio no primeiro quadrimestre de cerca de 52%, comparativamente ao período homólogo do ano anterior. Ressalta a vista, nesta análise, a questão das garantias que os particulares geralmente têm dificuldade em constituir , em oposição às instituições do sector público. Então,  o que terá de ser feito é corrigir as situações que acima indicamos, já que, nas economias de mercado, compete ao sector privado a produção e oferta de bens e serviços, assim como a geração de empregos.