O rácio entre contabilistas disponíveis e o número de empresas existentes em Angola é ainda muito baixo e muito aquém das necessidades do mercado, reconheceu, recentemente, o vice-presidente da Ordem dos profissionais da classe.
Tomás Faria revelou ao JE, que a ordem controla, neste momento, perto de cinco mil membros cifra considerada irrisória para atender o universo de 100 mil empresas existentes no país.
O segundo líder dos contabilistas disse que os dados podem apresentar discrepâncias com a realidade por falta de estudos actualizados e constantes do Instituto Nacional de Estatística (INE) como órgão competente.
Conforme garantiu, a Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola (OCPCA) trabalha em parceria com o Instituo Nacional de Estatística (INE) e com a Administração Geral Tributária (AGT) no sentido de actualizar os dados sobre as empresas operacionais em Angola.
“O rácio de contabilistas por empresas é considerado muito aquém, mas a nossa Ordem é ainda muito recente e continuamos a trabalhar para seleccionar e admitir mais quadros competentes para a classe”, disse.
Sublinhou que o principal desafio da Ordem para os próximos anos é aumentar o número de contabilistas e peritos contabilistas, promovendo o crescimento quantitativo e qualitativo. Por outro lado, Faria entende que muitas empresas precisam de contabilistas e a Ordem se encarrega de capacitar os mesmos para melhorar as qualificações profissionais.
“Os contabilistas existentes no país ainda não correspondem às exigências e à demanda da economia angolana, cuja avalanche de empresas, de acordo com cálculos do Banco Mundial, ronda as centenas de milhares”, argumentou.

Formação
A Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola (OCPCA) aposta, este ano, no refrescamentos de membros de todas as regiões tributárias sobre o modelo do Imposto Industrial, com base no instrutivo da Administração Geral Tributária (AGT). Este foi um dos objectivos da capacitação promovida, recentemente, na Faculdade de Economia do Lubango (Huíla), dirigido a mais de 60 membros controlados pela representação provincial da Ordem.
Tomás Faria disse que o ciclo de formação, iniciado em Benguela, continuará em todas as províncias no intuito de contemplar todos os membros.
A Ordem dos Contabilistas e Perito Contabilistas de Angola visa defender os interesses dos profissionais da classe, partilhar conhecimentos para que os filiados sejam capazes de preparar e apresentar as demonstrações financeiras de acordo com os princípios contabilistas universalmente aceites.

Acesso a Ordem
Disse que o acesso a Ordem acontece mediante obediência ao estatuto da organização dividida em conselhos técnicos de contabilidade e de auditoria. Tomás Faria disse que a profissão é valorizada, porque o contabilista em Angola já vive do ofício. Sublinhou que existem, no mercado nacional, empresas dedicadas exclusivamente à prestação de serviços de contabilidade e que empregam muitos cidadãos.
“Temos empresas dedicadas só à contabilidade. Os membros já vivem da profissão. Isto não está em causa. De momento pode não haver mercado, pois quando há crise é para todos, visto que quando as empresas e os negócios fecham não há trabalho para contabilistas”, disse.