O comércio externo de Angola atingiu a cifra de mais de um trilião de kwanzas no primeiro trimestre deste ano, devido ao comportamento do preço do petróleo, principal produto de exportação nacional, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O documento do Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que, comparativamente ao período homólogo, o valor das exportações registou uma diminuição em cerca de 2,87 por cento, enquanto neste mesmo período as importações apresentaram uma diminuição fixada em 53,44.

Há, igualmente, a realçar o facto de, nos primeiros três meses do ano, a China ter-se constituído como o principal parceiro comercial de Angola, absorvendo 45,25 por cento do total das exportações nacionais, a que se seguiram a Índia, com 11,05, Taiwan com 7,27, Canadá com 6,80 e por último os Estados Unidos da América com 4,39.

Entre os que mais importaram para o nosso país, Portugal surge em primeiro lugar, com uma quota de 20,57 por cento, seguido da China com 14,98, Estados Unidos da América com 8,28, Brasil com 6,00 e a África do Sul com 5,39.

Constata-se também, conforme o documento do INE, que, durante o mesmo período, o maior volume de importação foi registado em diversos produtos, caso das máquinas, equipamentos e aparelhos com 24,31 por cento, veículos e outros materiais de transporte com 15,11, produtos agrícolas com 14,23, metais comuns com 12,43 e produtos alimentares com 8,15.

De recordar que, em Maio, o director nacional do Comércio Externo, Adriano Martins, exortou os importadores e despachantes sobre a necessidade de precisarem, nas facturas de importação e exportação, as quantidades das mercadorias em quilogramas, litros ou em toneladas.

Em declarações à Angop, o responsável disse que se tem constatado, frequentemente, a inserção incorrecta no sistema de dados referentes às quantidades de bens a importar. Exemplificou que muitos importadores põem o número de caixas ou de sacos ao invés de toneladas, quilogramas ou litros, conforme o caso.

Segundo o interlocutor, quando as informações sobre as importações ou exportações são mal prestadas ou declaradas, dificulta a elaboração da balança comercial do país e não ajuda o Estado a tomar decisões correctas sobre as necessidades.

“Se o Estado tivesse que decidir, por exemplo, apostar na produção interna de arroz, para tal, teria que se basear nessas informações para saber quanto se consome com a importação deste produto”, explicou a fonte, acrescentando ser essa uma parte da informação que preocupa bastante o país.

Questionado se os importadores inserem os dados incorrectos no sistema de forma propositada, Adriano Martins disse que a inserção errada tem a ver com a falta de conhecimento.

“Se é algo premeditado não posso afirmar, mas acho que é falta de informação de como  se deve inserir os dados relativos à quantidade de mercadoria. Mas há necessidade de esses dados serem introduzidos como deve ser, porque um dos  grandes problemas do nosso país é a falta de estatística”, concluiu o director do Comércio Externo.

Por outro lado, reconheceu que os erros têm diminuído, mas salientou que “há casos que preocupam muito e estão relacionados com a prestação de informações correctas sobre as exportações.