O Banco Valor (BV) registou no ano de 2012 um resultado líquido que está muito aquém das expectativas da gestão administrativa da instituição, pois no exercício obteve um resultado de 1, 1 mil milhões de kwanzas contra 287, 8 registados no exercício anterior.
 
Apesar desse desempenho, o BV obteve um resultado positivo ao registar no ano passado, um activo líquido de sete milhões de kwanzas, fruto do aumento das aplicações de liquidez de crédito e recursos no Banco Nacional de Angola (BNA), representando um crescimento de 193 por cento, comparativamente com o ano de 2011.

Quanto ao activo não financeiro, esta rubrica observou uma redução na ordem dos sete por cento em relação ao período homólogo de 2011 e os outros activos (compostos pelo crédito no sistema de pagamentos e pelos outros valores) registaram uma diminuição de 95 por cento, fruto das regularizações ocorridas ao longo do ano, na rubrica relações entre instituições bancárias.

Neste caso, as aplicações de crédito ocuparam o segundo lugar na estrutura do activo do banco, com uma participação de 30 por cento, fazendo com que os depósitos aumentassem em 1,2, elevando o passivo total da empresa para a cifra de sete milhões de kwanzas, ou seja, mais 193 por cento do que no período homólogo de 2011.

Assim, os depósitos a ordem evoluíram1,3 por cento e actualmente detêm 75 do passivo remunerado, ao passo que os recursos a prazo registaram,igualmente, um aumento considerável, tendo atingido a cifra de 1,5 milhões de kwanzas, contra 151 milhões registados no período homólogo de 2011, um crescimento de 930 por cento.

O crescimento do volume da carteira dos depósitos em moeda nacional reflecte a confiança dos agentes económicos, fruto do abrandamento verificado na e evolução do índice de preços ao consumidor (IPC) ao longo do ano, motivando-os à poupança em moeda nacional.

Fundos próprios
Sendo 2012 o segundo ano de funcionamento do banco, os custos inerentes à expansão do negócio têm crescido a um ritmo mais acelerado do que as receitas, dando lugar aos resultados negativos, verificando-se deste modo um decréscimo dos fundos próprios de cerca de 740 milhões de kwanzas.

O crédito sobre clientes foi a rubrica que maior crescimento registou, com 5.7 por cento mais do que no período homólogo de 2011.
Os depósitos observaram, igualmente, crescimento exponencial e atingiram o montante 6,2 milhões de kwanzas, mais 1.234 por cento do que em 2011.

Apesar da corrosão dos fundos próprios, o rácio de solvabilidade regulamentar situou-se dentro dos limites definidos pelo BNA.
A margem financeira e o produto bancário cifraram -se em 275 milhões de kwanzas e 62 milhões de kwanzas com variações positivas na ordem dos 312 por cento e 3.427 por cento, respectivamente.

No domínio das operações cambiais, em 2012, o banco adquiriu no mercado primário de divisas o montante de 77 milhões de dólares como resultado do volume de negócios acima referido e obteve uma margem financeira de 62 milhões de kwanzas, mais 3.427 por cento do que em 2011. A margem complementar alcançou o montante de 213 milhões de kwanzas, que acrescida à margem financeira deu lugar a um produto bancário no montante de 275 milhões de kwanzas.

Indicadores de liquidez
Tendo em consideração que a instituição não possui existências//inventários, os rácios de liquidez geral e reduzida apresentam o mesmo valor.

O BV efectua uma gestão de risco de liquidez com o intuito de manutenção de um nível adequado de disponibilidades que permita assegurar o desenvolvimento normal das suas actividades e assegurar alguma flexibilidade para absorver eventuais impactos exógenos à actividade, como é o caso das variações das taxas de câmbio e das taxas de juro.

Assim, em 2012, o BV envidou esforços no sentido de implementar sistemas e procedimentos de aperfeiçoamento da gestão de risco à actividade de gerenciamento dos riscos altamente estratégica. O dinamismo dos mercados conduziu-os a um constante aprimoramento dessa actividade na busca das melhores práticas de gestão.

A gestão do risco de crédito é um processo contínuo evolutivo de mapeamento, desenvolvimento, aferição e diagnóstico que, através de modelos, instrumentos e procedimentos, exige um alto grau de disciplina e controlo nas análises das operações efectuadas.
No entanto, o Banco Valor exerce continuamente o mapeamento de todas as actividades que podem gerar exposição do risco de crédito, com as respectivas classificações quanto à probabilidade e magnitude, assim como a identificação dos seus gestores e o respectivo plano de mitigação.

A política de gestão de riscos de mercado e liquidez, com as normas e procedimentos decorrentes, define não somente os níveis mínimos a serem observados, como levar em consideração cenários de adversos.

O risco de liquidez contempla o acompanhamento diário da composição dos recursos disponíveis na estrutura bancária.