Os jovens Anacleto Manuel e Joana Augusto, em Luanda, têm nos telefones um amigo do dia-a-dia. Dizem-se da geração Android. Ambos têm mais uma coisa em comum: não tinham conta bancária, até há bem pouco tempo, e entrar num banco e suportar filas era coisa que os fazia ver no “garrafão” um bom guarda das suas poucas finanças pessoais.
Ambos admitem que os quiosques da rede “Xikila Money” mudaram as suas opiniões, pois os telefones passaram a ser também os principais instrumentos para levantar e transferir dinheiro de forma rápida e sem as tradicionais chatices. É assim que consideram o atendimento presencial nas várias agências bancárias.
Os dados, até ao I semestre deste ano, dão conta de 250 mil contas abertas no Xikila Money. Em igual período de 2017, tinham cerca de 100 mil contas. No final daquele ano estimou-se estarem abertas 130.253 contas. No último trimestre deste mesmo ano, a média total diária de contas abertas era de 650 novas subscrições.
Com balcões no Huambo e Luanda, os números reflectem o grau de aceitação de um banco que abre a era da digitalização plena no sistema bancário angolano. O desafio, por agora, é a sua fixação nas demais 16 províncias.
O Xikila Money, a primeira Unidade de Negócio do Banco Postal (BPT), é a materialização efectiva da missão de bancarização dos até então tidos por excluídos do sistema. É um dos mais inovadores paradigmas de serviços bancários em Angola. Congrega o que há de melhor em dois mundos: operações bancárias através de tecnologias móveis e os tradicionais canais físicos da banca, por via do Banco Postal. Assim, o grupo está estruturado em agências, quiosques, agentes externos e a rede PAGA AQUI. Tem já fixados mais de 150 pontos de atendimento.

Inclusão consolida estratégias bancárias

O crescimento da economia angolana tem promovido o desenvolvimento e a consolidação do seu sistema financeiro.
Esta consolidação verifica-se não só pelo lado da oferta, pelo aumento do número de instituições financeiras e agências e diversificação de produtos e serviços, mas também pelo lado da procura com o aumento progressivo do acesso e utilização por parte das diferentes camadas da população.
Entre 2004 e 2012, o número de agências a nível nacional passou de 172 para 1.291, sendo que cerca de 40 por cento estão localizadas em Luanda. O Índice de Inclusão Financeira tem acompanhado esta evolução positiva. Em 2004, a percentagem de cartões multicaixa activos pelo total da população adulta era de apenas 2 por cento enquanto em 2010 este valor já se situava em 20. As rúbricas de depósitos e crédito têm também verificado uma evolução favorável, não só em valor absoluto, mas também em termos percentuais face ao valor do PIB.
Apesar desta evolução, os índices de inclusão são ainda inferiores ao registado noutras economias emergentes, como África do Sul e o Brasil, havendo por isso espaço para continuar a desenvolver o processo de inclusão.
O Banco Postal lançou, no princípio deste ano, mais duas unidades de negócio: Comércio & Empresários e Corporate & Personal. A unidade de negócio Comércio & Empresários (C&E) é um complemento do Xikila Money. Por essa via, tem promovido a migração da economia informal para o Banco Postal. Para os gestores, a inclusão financeira não é apenas um acto de responsabilidade social, é uma missão estratégica.
Com o lançamento da unidade de negócio, Corporate & Personal (C&P), o Banco Postal completou a sua estrutura multissegmento.