Quem vai às compras na rede de lojas AngoMart tem de enfrentar a revista à saída e a confirmação dos produtos que leva de acordo com a factura de pagamento.
Esta iniciativa é uma contravenção clara aos direitos do consumidor, em função de uma anterior decisão das autoridades reguladoras desse segmento.
Em Abril desse ano, o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) proibiu estas práticas nos estabelecimentos comerciais, por considerar que violam o direito à integridade pessoal e o princípio da presunção da inocência inscritos na Constituição da República de Angola.
Tal como constatado nas reportagens do Jornal de Angola e outros órgãos de imprensa nacionais, a prática persistia e até hoje não há sinais de mudança dessa prática. Nos Kero, Alimenta Angola, Candando e Shoprite por onde passámos não
foi visto este procedimento.
Chinha João foi à AngoMat comprar bens essenciais da cesta básica. Passou pela revista dos “kaenche”, e considerou a revista um autêntico desrespeito à presunção da inocência dos clientes.
“Ouvimos nas rádios e vemos pela televisão que é proibido revistar as compras dos clientes, mas aqui no AngoMart do Benfica, as pessoas que trabalham na portaria não cumprem essa orientação. É uma vergonha e até porque essas revistas poderiam ser feitas na caixa por altura
do pagamento”, defende.
A gerência da loja não se mostrou disponível para atender o nosso pedido de esclarecimento, talvez porque não nos identificamos em nome da imprensa, mas na condição de consumidor. Além de ameaçados, fomos recomendados a obedecer só e somente.