O Banco Nacional de Angola (BNA) deverá desenhar uma estratégia de no curto e médio prazos colocar o kwanza - a moeda nacional - entre as que são transaccionadas no sistema electrónico de pagamentos da região Austral. Esta posição ficou vincada no recente encontro dos bancos centrais da Sadc, que Luanda acolheu e cujo encerramento decorreu ontem no Centro de Convenções de Talatona. No encontro de Luanda, o presidente do Órgão de Administração do Regime de Pagamentos (PSMB, na sigla inglesa) da SADC, o zimbabueano Andrew Mugari, citado pela Lusa, referiu que o kwanza, moeda angolana, ainda não foi inserido no Sistema Integrado de Liquidação Eletrónica (RGTS, na sigla inglesa) da comunidade, vigente desde Junho de 2013, cuja moeda de referência atual é o rand sul-africano. “O que esperamos dos nossos utilizadores, incluindo Angola, é que trabalhem no sentido de começarem a utilizar o sistema e que orientem os bancos comerciais para que, havendo necessidade de algum cliente transferir valores de Angola para qualquer país da região, poderá fazê-lo no mesmo dia”, afirmou hoje aos jornalistas, em Luanda. À margem de uma conferência sobre o RGTS, que decorre até quinta-feira na capital angolana, Mugari referiu que a pretensão do órgão é transformar a SADC, constituído por 16 Estados-membros, “num único” país no sentido de que o sistema de pagamentos seja uniforme. “Para que o sistema de pagamento seja feito em tempo real e algum cliente que queira fazer pagamento entre países seja feito no mesmo dia”, referiu, explicando que o banco central sul-africano é a unidade intermediária para esse processo. Além do rand, o órgão espera igualmente que todas as moedas da região sejam incluídas na plataforma e pretende incluir também o dólar norte-americano no sistema, uma pretensão, no entanto, condicionada pelos “rígidos critérios” da Reserva Federal norte-americana.

Encontros rotativos
Ao que constou, os encontros de Utilizadores do Sistema de Liquidação Regional da SADC são realizados rotativamente pelos bancos centrais desta comunidade, num horizonte temporal de um ano com periodicidade anual. O mesmo analisa e trata de assuntos relacionados com o funcionamento, desafios, constrangimentos e oportunidades do Sistema de Liquidação Regional, incluindo as perspectivas de desenvolvimento de cada Estado. O encontro trouxe, conforme perspectivado pela organização, entre outros, os benefícios da criação de networking pelos utilizadores, especialistas e responsáveis dos sistemas de pagamento dos distintos bancos centrais e comerciais e da abordagem conjunta sobre os desafios actuais impostos pelo desenvolvimento tecnológico, e da globalização e intensificação dos negócios. Serviu ainda para a apresentação de propostas para a solução dos diversos constrangimentos que o referido sistema dispõe. A inclusão financeira a nível de África é um dos temas que anima este encontro que congrega, em Luanda, especialistas de diversos bancos africanos que decorreu sob os auspícios do Banco Nacional de Angola (BNA). Dados avançados ontem dão conta que os bancos do Sistema Integrado de Liquidação Electrónica (RTGS) da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) realizaram, de Julho de 2013 ao mesmo mês do ano curso, 1,5 milhões de transacções, cifradas em seis biliões de rands (cerca de 148 mil milhões de kwanzas).

Bancos assumem prioridade com acções de literacia

O BNA e os bancos Standard Bank, de Investimento Rural (BIR), Keve, Angolano de Investimento (BAI), de Fomento de Angola (BFA), Sol, Económico e Millennium Atlântico revelaram, recentemente, um comprometimento comm as acções sobre a literacia financeira, no quadro da estratégia de incentivo à poupança. Juntamente com a Rede de Mediatecas de Angola, Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF) e a Bodiva, a Comissão do Mercado de Capitais (CMC) realiza, desde ontem até amanhã, sábado, em Luanda, a Feira do Investidor. O certame tem como objectivo destacar a importância da educação financeira e da protecção do investidor, ao mesmo tempo que visa proporcionar oportunidades de aprendizagem de temas relacionados com a poupança e o investimento. Para o efeito, organizar-se-ão um conjunto de actividades tais como distribuição de informação e serviços orientados para o investidor, palestras, entrevistas públicas, painéis de debate, publicação de artigos, para além da exposição de informação e conteúdos de interesse relacionados com o Mercado de Valores Mobiliários em Angola. De acordo com a organização, tal evento enquadra-se no âmbito das actividades a serem realizadas durante a Semana Mundial do Investidor (de 30 de Setembro a 6 de Outubro de 2019). A 31 de Outubro celebra-se o
Dia Mundial da Poupança.

Taxa básica mantém-se nos 15,50%

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola reuniu, recentemente, e na ocasião tomou a decisão de manter a Taxa BNA em 15,50%. De igual modo, decidiu manter inalterada a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0% e os coeficientes das Reservas Obrigatórias em moeda nacional em 17 e 15% em moeda estrangeira. Estas decisões foram sustentadas no facto da Base Monetária em moeda nacional, variável operacional da política monetária, apresentar um sentido de contracção, com a perspectiva de manter este curso até ao final do ano. Notou-se que no mês de Agosto, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) apresentou uma variação mensal de 1,44%, ligeiramente abaixo da registada no mês anterior (1,52) e uma variação homóloga de 17,50%, acima da observada no período anterior (17,24). A inversão da tendência decrescente da inflação homóloga observada em Julho e Agosto, foi influenciada pelo ajustamento dos preços da classe “Habitação, Água, Electricidade e Combustíveis” ocorrido no mês de Julho.  No entanto, em termos de classe, a maior variação de preços, no mês de Agosto, foi observada na Saúde (2,39%), justificada, essencialmente, pelo aumento dos preços dos serviços médicos, com maior destaque para o custo da radiografia (4,20).