O salário mínimo nacional para o sector privado beneficiou recentemente de um ajuste de 30 por cento, após acertos do Governo aprovados em Assembleia Nacional. Por agora só falta a publicação em Diário da República.
Na justificação da medida, o ministro da tutela do trabalho, Jesus Maiato, explicou que o compromisso é recuperar o poder de compra das famílias e manter a estabilidade e o equilíbrio das contas.
Por essa razão, o salário mínimo nacional para o sector privado passa dos actuais 16.503 para 21.454 kwanzas no sector da Agricultura, 26.817 kwanzas para os trabalhadores ligados ao comércio e 32.181 kwanzas (90,65 euros) para os funcionários ligados ao comércio da indústria extractiva.
O JE saiu à rua para medir o grau de expectativas e saber como os cidadãos que são os beneficiários directos da referida medida estão a encara-la. A tentativa de ouvir, na rua, alguns empregadores não fomos bem sucedidos.
Para Domingas André, casada e trabalhadora por conta própria, o Governo deve exigir a actualização imediata do sector privado, visto que alguns se podem baldar e não fazerem os devidos reajustes.
“Acho que o Governo deve exigir para que o privado ajuste os salários até das empregadas domésticas. A vida ficou difícil para todos e seria justo que todos, de alguma forma, beneficiassem deste pequeno ajuste”, disse.
Já o funcionário público Castelo Lundemba, casado, confessa não entender muito bem os “pressupostos” deste reajuste, pois na visão dele parece que nem todos irão beneficiar da referida medida.
“Sou a favor do reajuste para todos, tanto do privado quanto do público. Mas não vai adiantar nada se continuarmos a assistir essas subidas constantes dos preços dos bens e serviços”, afirmou, Para Milú Canhongo, o sector privado deve actualizar os salários, mas não considera a percentagem justa. Ele que é funcionário de uma empresa privada de advogados, afirma que pelo menos, até ao momento, não acha que o seu salário sofrerá algum aumento.
“Na minha empresa, pelo menos, não se ouve nada disso. A vida está cada vez mais difícil, os preços cada vez mais altos e quem ganha menos ou igual a trinta mil kwanzas, por exemplo, tem que se virar para sobreviver”, conta.
Por sua vez, Mariana da Silva, casada e polícia, razão pela qual se negou ser fotografada, disse que até agora os seus salários não sofreram nenhum aumento. Ela nos contou que, neste momento, os 75 mil que aufere não chegam nem para metade das suas necessidades.
Conforme questiona, se alguns sectores do Estado não subiram os salários como é que o Governo vai exigir que um privado aumente os salários? Pessoas como eu que já ganha mais do que o salário mínimo não sofreremos aumento?, indagou.
A estudante Filomena Francisco, 25 anos de idade, disse que por ser desempregada não sofre directamente com esse dilema, mas por ser sustentada pelos pais que trabalham no sector privado, sente na pele a desvalorização dos salários daqueles.
“Devem subir o mais rápido possível. Antes da crise os salários dos meus pais eram suficientes até para me darem uma mesada. Há muito que já não vejo mesada e nem reclamo, porque reconheço que o custo de vida subiu muito”, disse.
Júlia Matias, trabalhadora do sector público, também é de opinião que este ajustamento do salário mínimo não diz nada para muitos do sector privado, uma vez que quase todos já pagam mais do que o salário mínimo actual.
“Estou feliz por aqueles que auferem bem menos...mas para nós a vida pode continuar na mesma porque não temos nenhuma base legal para exigir uma actualização dos salários com base no poder de compra que perdemos “, afirmou.

Castelo Lundemba-Funcionário público
Sou a favor do reajuste para todos tanto do privado como do sector público. Mas, não vai adiantar nada se continuarmos a assistir essas subidas constantes dos bens e serviços”.


Filomena Francisco-Estudante
Devem subir o mais rápido possível. Antes da crise os salário dos meus pais era suficiente até para me darem uma mesada. Há muito que já não o fazem porque reconheço que o custo de vida subiu muito.

Milú Canhango-Trabalhador por conta de outrem
Na minha empresa, pelo menos, não se ouve nada disso. A vida está cada vez mais difícil, os preços cada vez mais altos e quem ganha pouco mais de trinta mil kwanzas por exemplo tem que se virar para sobreviver.


Domingas André-Desempregada
O Governo deve exigir o ajuste os salários até das empregadas domésticas. A vida ficou difícil para todos e seria justo que todos de alguma forma beneficiassem deste pequeno ajustamento.

Júlia Matias-Trabalhador por conta de outrem
Estou feliz por aqueles que auferem menos...mas, para nós a vida pode continuar na mesma porque não temos nenhuma base legal para exigir uma actualização dos salários.