Do total de 23 mil trabalhadores bancários em Angola, 18 mil dos quais associados ao sindicato da classe, estima-se que 6.640 estejam colocados nos bancos de capitais públicos, designadamente de Comércio e Indústria (BCI) e Poupança e Crédito (BPC).
Face ao cenário de privatização de empresas detidas pelo Estado e que pode também abranger aqueles dois operadores, o Sindicato Nacional dos Empregados Bancários (SNEBA) diz-se contra e garante defender a continuidade do serviço público na banca, uma vez acreditar que o saneamento abrirá portas aos despedimentos em massa.
Para o vice-presidente da organização, Filipe Makengo, a privatização pode trazer despedimento e problemas sociais.
Sobre os indicadores reais dos despedimentos, não os pode fornecer, porque, segundo ele, “os números são vertiginosos, sobretudo na banca privada, todavia, a Lei Geral de Trabalho em vigor facilita as entidades patronais nos despedimentos, razão pela qual o sindicato bate-se pela revisão da legislação para maior protecção e segurança do trabalhador.
Quanto a projectos, disse estarem projectadas, para um período de cinco (5) anos, a construção de uma clínica para assistência medica dos bancários, um Instituto Médio de Formação Profissional e um Resort (espaço de lazer e recreação).
Todos estes projectos, de acordo com o vice-presidente, contam com o apoio da banca pública para a sua materialização.
O recente congresso do Sneba decorreu em Luanda, sob o lema “Organizar a base para fortalecer o topo”, traçou, também, as linhas mestras para o período 2019-2023, cuja prioridade vai para as infra-estruturas de apoio e bem-estar dos empregados bancários.
“As grandes atenções dos sindicatos estão também na defesa dos interesses sociais e económicos dos trabalhadores, acompanhamento dos processos de despedimento e questões ligadas à privatização de instituições financeiras”, assegurou.
Segundo disse, há processos de litígio na banca resultantes de procedimentos disciplinares, juntando-se a eles o facto de muitos trabalhadores não estarem filiados ao sindicato, posição em muitos casos facilitadoras dos despedimentos efectivados pelos empregadores, já que falta uma força sindical por detrás do respectivo trabalhador.
Sobre o mais recente estudo do Banco Nacional de Angola (BNA), cujos resultados indicam existir no sector 23 mil trabalhadores, dos quais mais de 16 mil (70%) não têm o ensino superior concluído, o Sneba advoga estar a mobilizar de forma contínua os associados, a fim de vencer-se a actual fasquia de apenas menos de sete mil (30%) graduados.
“O sector exige quadros competentes e formados, que possam dar resposta às exigências do sector. Apelamos mais empenho e esforços àqueles que não conseguiram terminar a sua formação superior que retomem a faculdade para melhor responderem os desafios da banca nacional”, apelou.