Na conferência subordinada ao tema “O capital humano no sector financeiro angolano - desafios e perspectivas”, realizada ontem, no Museu da Moeda, em Luanda, pelo BNA, as discussões num dos painéis giraram à volta do que se tem feito em termos de captação, desenvolvimento e retenção de competências.
Os representações dos bancos Sol, BAI e Valor, bem como gestores de recursos humanos das empresas Unitel e ENSA estiveram no painel.
Sem especificarem o montante que cada uma das instituições tem gasto para a capacitação dos quadros, cada representante da área de recursos humanos debruçou-se sobre a temática e de uma forma geral manifestaram crença que, actualmente, é cada vez mais desafiante manter e reter talentos, porém, consideram que a qualidade do capital humano no sector tem bastante potencial e profissionalismo.
Em síntese, os representantes afirmam que apesar do baixo grau percentual de colaborardes com formação superior, é de notar que os bancários, uma vez inseridos no mercado de trabalho, tendem a acomodar-se, mas que a avaliação do desempenho é satisfatória.
“A licenciatura de facto é importante para algumas funções. Não podemos pensar que, necessariamente, o bancário só é capacitado se tiver formação superior. A vontade de constante aprendizado e o aproveitamento das experiências obtidas de uma pessoa sem formação profissional, num determinado tempo, muitas vezes se sobrepõe”, disse a directora do capital humano do banco BAI, Irene Graça.
Já o representante do Banco Sol, Teófilo Cauxeiro, disse que o seu banco tem como estratégias, melhorar as relações com o empregado e disciplinar progressiva e positivamente para manter as pessoas satisfeitas e motivadas.
“Particularmente, acho que não é só uma promoção ou o aumento salarial que motiva o trabalhador a se capacitar. Devemos conhecer as necessidades reais de cada colaborador, que podem, simplesmente, passar por facilitar o horário para alguém que viva distante do seu local de trabalho, por exemplo”, afirmou.
Haríclea Fernandes, em representação da Ensa, contou que sendo a sua seguradora actuante no mercado há mais de 40 anos, perdeu o monopólio e desde então os esforços para se manter líder no mercado inserido é o maior desafio. Ela nos contou que na sua empresa, com determinação e vontade um técnico consegue com ajuda.
“É obvio que isso só é possível quando contamos com profissionais capacitados, competentes e motivados a vestir a camisola, para não sermos engolidos pela concorrência. Eu particularmente entrei há dez anos na empresa como técnica e hoje sou chefe de departamento dos recursos humanos”, contou.