A subida do preço do pão em todas as panificadoras na cidade do Cuito, província do Bié, está a deixar a população insatisfeita. Ao que apurou a nossa reportagem, o pão carcaça custa agora 35 kwanzas contra os anteriores 25. Tal subida surpreendeu a população no Cuito, uma vez que o pão é dos alimentos da mesa diária do cidadão. Desde o domingo 22, em todas as panificadoras e casas de revenda de pão, assiste-se um ajuste no custo do produto. O preço de cada unidade de pão varia de acordo com o tamanho, mas o preço mínimo está, actualmente, no valor de 35, no caso para o carcaça, e 75 kwanzas, para o cassete. Mamadou Mafou, de nacionalidade Maliana, residente no Cuito há três anos, é gerente de uma das panificadoras da zona do Chissindo. Reconhece o elevado preço do pão, mas diz não ser só vontade das panificadoras subirem o preço, porque sabem que a situação económica das famílias não está favorável. Todavia, a subida do trigo, principal matéria-prima, e outros produtos é a causa principal. Segundo disse, o fermento e o adoçante utilizado para o fabrico do pão vêm da Turquia, porque o mercado local não os comercializa. Daquele país vem também o trigo importado, uma vez não haver oferta local capaz de responder à demanda; e que ainda assim tais produtos não chegam directamente às províncias do Huambo e Bié. “Quando chega até aqui temos de pagar o preço da transportação da mercadoria e isso se reflecte no produto final. Todos os produtos para confeccionar o pão são importados e não facilita a baixa de preço ainda que queremos.Mamadou Mafou salientou que “enquanto não existir investimentos e qualidade no fornecimento e produção dos produtos básicos, como o trigo, fermento e adoçante, as coisas tendem a agravar”. De acordo com as suas explicações, um saco de trigo de 50 kg, de origem turca, está no valor de 14.700 no câmbio. Até chegar em Luanda e pagar o frete do transporte para o Bié, o valor é ainda mais elevado. Na cidade do Cuito, das cinco padarias existentes, apenas uma é de cidadão nacional, enquanto as restantes quatro são de estrangeiros. Salta ainda à vista, o facto dos municípios do Chitembo, Nharêa, Catabola, Cunhinga não terem uma única padaria.

Cidadãos desabafam
A enfermeira Joaquina Albano, de 46 anos, tem 8 filhos e vive na zona urbana do Cuito com mais dois netos. Disse que a família angolana é extensa, tendo em conta a nossa cultura e com a situação financeira fica difícil fazer-se poupança do salário. Para ela, cada pão no valor de kz 35 e com as famílias extensas, integrada por sobrinhos e primos, fica cada vez mais difícil consumir o pão em casa. Já Paula Sõy, psico-pedagoga de profissão, de 38 anos, e residente na centralidade “Horizonte”, declarou que a vida está cada vez mais difícil para o cidadão e há a necessidade dos governantes analisarem a actual situação económica. “Com a situação da renda de casa, transporte para as crianças irem à escola, o vestuário, a alimentação e agora com a colocação de contadores de água e energia na centralidade, trará frustração social para muitos cidadãos”, disse. Referiu que o nível de pobreza dos cidadãos está a aumentar, diariamente, por falta de condições financeiras para custear a saúde e a educação das famílias, bem como por causa da subida dos produtos da cesta básica.

Inadec reconhece subida
O chefe dos serviços provinciais do Inadec, no Bié, Alfredo Capitango, reconheceu constatar-se subida de preços nos produtos básicos nos vários estabelecimentos comerciais. Para ele, a instituição não tem autoridade para regularizar ou baixar os preços dos produtos.