A primeira ideia foi logo que o dinheiro também saía das paredes. Como estava envolta em mistérios esta cidade. Ainda tinha muito que descobrir, mas nunca ganhava coragem em se aproximar para ver e descobrir tal mistério, não fosse ser tomado por ladrão a espreitar a incauta vítima.
Naquela altura, para não ser tomado por ignorante ou atrasado, não ousava em perguntar como era possível tal “magia”, mas continuava intrigado em meio a agitação transbordante e exasperante da cidade integradora mas também de grandes contrastes, onde carros modestíssimos, alguns quase a caírem aos pedaços, rivalizavam “taco a taco” com máquinas reluzentes por espaços nas apertadas vias de circulação.Ou a facilidade em fazer negócio, afinal tudo se vendia e tudo se comprava. [Vivências contemplativas em contexto de Konomia dyaKitanda (expressão em kimbundu que procura traduzir o qualificativo Economia de Mercado)]
A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) em conferência de imprensa anunciou que a partir de Setembro de 2017 o levantamento de dinheiro nas Caixas Automáticas da rede interbancária pode ser feito sem necessidade de cartão Multicaixa.
A implementação deste serviço, permitindo o levantamento de dinheiro na rede Multicaixa com recurso a apenas a um telemóvel, surge na sequência da aprovação, em Fevereiro de 2017, pelo Executivo da Estratégia do Sistema de Pagamentos Móveis.O serviço consiste na transferência de um código obtido pela pessoa que envia o dinheiro com o qual o beneficiário pode fazer o levantamento em qualquer posto de atendimento, mesmo sem o cartão.Como forma de enquadramento, importa referir que a Emis é uma sociedade criada pelos Bancos para operar a infra-estrutura do Sistema de Pagamentos de Angola (SPA). Em concreto, esta sociedade tem por objecto social instalar, montar e gerir as infra-estruturas e a tecnologia de suporte do sistema de pagamentos nacional e internacional, bem como a prestação de serviços ligados a sistemas electrónicos de pagamentos. Na qualidade de processadora do SPA, a Emis presta um conjunto de serviços aos emissores de cartões bancários, que no caso interno são os cartões da rede Multicaixa emitidos pelos Bancos que operam em Angola, mas também cartões de marca internacional, casos dos cartões Visa e Mastercard.Com aquele anúncio, a movimentação de dinheiro poderá ser feita também sem necessidade de cartão bancário, bastará um dispositivo telefónico onde esteja “depositado” o dinheiro.
A Lei de Bases das Instituições Financeiras, Lei n.º 12/2015, de 17 de Junho, no leque de actividades permitidas às instituições financeiras bancárias consta a emissão de moeda electrónica, e o Aviso n.º 6/2014 do Banco Nacional de Angola, publicado no Diário da República n.º 182 de 1 de Outubro, que regula a prestação de serviços de pagamento no âmbito do Sistema de Pagamentos de Angola (SPA), define moeda electrónica como o valor armazenado num dispositivo ou sistema electrónico, representando um crédito sobre o emitente e emitido após recepção de numerário ou moeda escritural, que permite ao utilizador efectuar operações de pagamento com pessoas diferentes do emitente.
Os pagamentos móveis são frequentes em países com um deficiente desenvolvimento dos sistemas financeiros, principalmente na vertente da capilaridade da rede de balcões, sendo o exemplo do Quénia como verdadeiro caso de estudo.
No Quénia funciona desde 2007 um sistema de pagamentos móveis designado de M-Pesa (M de móvel e Pesa de moeda na língua local), cujo objectivo principal é tornar as transacções mais rápidas e seguras sem a necessidade de recorrer à moeda física. Mas esta opção do uso do telemóvel para processar operações de pagamento se estende também a outros países com outras realidades nos seus sistemas financeiros.
É o caso de Portugal que muito recentemente a Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), sociedade equivalente a Emis em Angola, anunciou a entrada em funcionamento da opção de levantamento de dinheiro na rede Multibanco usando a aplicação MB Way. Com um telemóvel e uma aplicação informática para ter dinheiro na mão em qualquer caixa automática. Os utilizadores MB Way podem ainda enviar o código para outra pessoa, por notificação ou SMS, para que esta possa efectuar o levantamento do montante seleccionado. Trata-se de uma funcionalidade de levantamento de dinheiro sem necessidade de usar o cartão bancário.Os sistemas de pagamento por telemóvel resulta da rápida popularização do uso dos telemóveis pelo mundo afora. Praticamente em quase todos países do mundo o telemóvel está presente na vida do cidadão,mesmo nas regiões mais recônditas. O telemóvel passou a ser um acessório de uso indispensável e irrecusável, evidentemente que este atrelamento algumas vezes possessivo tem vantagens e desvantagens.
Na verdade os pagamentos móveis são mais uma aplicação instalada na rede de telemóveis.O pagamento por telemóvel facilita bastante a liquidação de operações em qualquer local e momento, e para caso de países, como Angola, em que o mercado informal ainda tem grande peso na economia, o uso do telemóvel para efectuar pagamentos reduz o uso da moeda manual (notas e moedas metálicas) nas operações de pagamento, e com isso também reduz o risco de assaltos, afinal o dinheiro fica “inserido” num dispositivo electrónico.
Encarada na perspectiva de redução da moeda manual em circulação, tal significa mais recursos nos Bancos, que assim podem conceder mais crédito para financiar a economia, e poupança nos gastos de produção de notas e moedas metálicas, afinal fazer dinheiro custa dinheiro.
Com os pagamentos móveis fica agregado ao sistema financeiro angolano mais um canal de distribuição dos produtos e serviços bancários, que desde a agência bancária passaram para a rede de caixas automáticas (CA) e de terminais de pagamento automático (TPA), e destes para o Internet Banking e o Mobile Banking. Em termos de instrumentos de pagamento o telemóvel passa assim a integrar o leque onde já perfilam o cheque e os cartões bancários.
Nos dias de hoje Domingos Adão já não se intimida com os avanços da tecnologia e tornou-se mesmo num verdadeiro entusiasta no uso das tecnologias.
E nisto reside o dilema do economista, quando pensa ter o exclusivo da solução vem a Kitanda cujos operadores ajustam-se às novas condições descativando a cláusula ceterisparibus (todo o resto constante). Em se tratando de economia todos são especialistas, até os economistas, haja em vista a sua relação intrínseca com as questões da sobrevivência humana.
Antoine Laurent de Lavoisier, considerado o pai da química moderna, ficou imortalizado com o seguinte enunciado: “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Mas na verdade, a formulação experimental está na Lei de Conservação da Massa, mais conhecida por Lei de Lavoisier, que diz que, em uma reacção química, a massa dos reagentes é igual à massa dos produtos.

* Expressão em kimbundo que significa Economia de Mercado