Em declarações à imprensa, à margem do seminário sobre combate à corrupção, organizado pela bancada parlamentar do MPLA, Ricardo João disse que as características destes crimes são variadas e destacou as suspeitas de gestão danosa, depósitos decorrentes de actividade comercial em contas privadas e características de peculato.

José Cerqueira
José Cerqueira, secretário de Estado para o Transporte Ferroviário, disse que existe muito capital angolano no exterior e fala-se em milhões, por isso entende que a grande preocupação devia ser o repatriamento do capital.
“Neste momento, há diversas iniciativas no estrangeiro contra os depositantes angolanos, pessoas que tiveram o seu dinheiro durante muito tempo sem movimentação e são confiscados ou retirados os capitais”, alertou.

Francisco Viana
O empresário Francisco Viana sugeriu a realização de um estudo profundo sobre as causas da corrupção e aconselhou o MPLA a resolver a questão dos novos ricos. “Temos neste momento em Angola muitos bilionários, alguns, segundo dizem, são membros do Bureau Político.
“Eu sou de opinião que devíamos repatriar as riquezas, porque os países onde estão depositados os dinheiros vão ficar com o dinheiro”, disse, alertando que é melhor que o dinheiro venha para Angola”, disse.
Para Francisco Viana, “a corrupção está generalizada na banca.” Criticou também a falta de transparência do Fundo Soberano, apontando as informações que circulam sobre os negócios desta instituição, sem no entanto haver uma reacção oficial.
O empresário Francisco Viana disse que se deve acabar com a impunidade, porque “todo o mundo rouba muito e ninguém vai para a cadeia”, afirmou. Ainda assim, Francisco Viana sugeriu que se deve pôr um limite à corrupção e começar do zero, sem caça às bruxas.
Mário Pinto de Andrade
O deputado Mário Pinto de Andrade disse que há ainda “muita falta de credibilidade do nosso banco central e dos comerciais.”
No seu entender, o país tem boas leis, mas as mesmas só valem se houver boas práticas na sua aplicação.
Mário Pinto de Andrade é também de opinião que se deve perdoar o que já está feito para se entrar num novo ciclo, educando as pessoas sobre o branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

Carlos Rosado
O economista Carlos Rosado de Carvalho, que falou sobre a corrupção, nepotismo, acumulação primitiva de capital e economia, no primeiro dia, afirmou que, desde 2012, Angola regrediu em matéria de corrupção e piorou a forma como as entidades externas olham para o país. Angola, disse, encontra-se entre os 10 países mais corruptos em 2016, com a Somália em primeiro lugar e Angola em 13º lugar, de acordo com a “Transparência Internacional”.
O economista explicou que a corrupção consiste no abuso do poder público para benefícios privados, principalmente em actividades de monopólio estatal. Para Carlos Rosado de Carvalho, a grande corrupção existe quando se usa o poder político para obtenção de ganhos privados e desvio de recursos públicos e a esfera política torna-se a principal estrutura de alocação de recursos. Já a pequena corrupção aparece quando se aproveita um cargo público para a obtenção de ganhos privados.

Alves da Rocha
Para o economista Alves da Rocha, que falou sobre as finanças públicas, desde 2009 que o país assiste uma desaceleração do crescimento económico, apesar de em alguns anos se ter conseguido taxas de crescimento do PIB de 6 por cento. “A taxa média de crescimento de 2009 a 2016 anda à volta dos 3 por cento, o que significa que, em termos de PIB por habitante, temos vindo a empobrecer todos os anos.”
Esse empobrecimento agravou-se em 2014. “Entre 2014 e 2016, a economia não só não cresceu, como regrediu na sua dinâmica de criação de riqueza ou criação de poder”, disse, adiantando que o Orçamento Geral do Estado é importante, uma vez que em situações de crise o Estado é chamado a inverter o ciclo económico, realizando determinados tipos de despesas correntes ou aumentando a capacidade de crescimento da economia.

Raúl Danda
Em declarações ao Jornal de Angola, Raúl Danda considerou de “absurdo” que numa altura em que o país clama por financiamentos para reerguer a economia haja cidadãos angolanos com avultadas somas monetárias depositadas no estrangeiro.
O político disse não entender que o Executivo faça constantes apelos para que empresários estrangeiros venham investir no país, quando angolanos desprovidos de sentimento patriótico preferem investir e manter no exterior grandes somas de dinheiro.

Lucas Ngonda
Para o líder da FNLA, Lucas Ngonda, não é normal, num momento em que o país está mergulhado numa crise económica e financeira sem precedentes, em que muitos angolanos são obrigados a fazer um esforço incomum para sobreviverem, outros detenham biliões de dólares em bancos no estrangeiro.
“Esperemos que os cidadãos em causa procedam ao repatriamento do dinheiro de forma normal, para não obrigar o Estado a tomar medidas coercivas”, aconselhou Lucas Ngonda, salientando que com a medida, João Lourenço inaugura uma nova era.
“A continuar nesta senda, a consolidação do Estado democrático e de direito seguirá a bom porto”, acrescentou, para de seguida felicitar o Presidente da República pela coragem que tem tido em abordar as verdadeiras questões do país.

Prevenir os riscos
Recentemente, nesta esteira de combate à corrupção e prevenção de fuga de capitais, foi apresentado o plano estratégico de desenvolvimento do sistema financeiro para o período 2018/2022, a ser aprovado em breve, pelo Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF), e que prevê a prevenção de riscos, com incidência para o branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.
O documento estruturante assenta em quatro pilares, e está alinhado ao plano intercalar do Governo, gizado em Outubro de 2017 a Março de 2018.
De acordo com o secretário executivo do CNEF, Gilberto Luther, que falava num evento de executivos, organizado pela Câmara de Comércio Estados Unidos - Angola, o documento pode ser aprovado ainda este ano, pelo referido conselho composto pelos reguladores, como o Banco Nacional de Angola (BNA), Comissão de Mercados de Capitais (CMC), Agência de Regulação de Seguros (ARSEG) e o Ministério das Finanças.
Os pilares constante neste plano são vitais para se perceber melhor aquilo que é o objectivo do Executivo e dos reguladores no que diz respeito às politicas do quadro de desenvolvimento do sector financeiro de Angola, com a recuperação da sua estabilidade não só do ponto de vista interno como internacional, segundo Gilberto Luther.