A carga fiscal e a inflação são dois dos vários factores apontados, recentemente, como razões que fomentam o surgimento de um mercado informal mais forte e robusto nas economias.
Durante a mesa redonda, promovida, em Luanda, pela Fundação Sagrada Esperança, os participantes concluíram que o excesso de burocracia, assim como a incapacidade de absorção da mão-de-obra economicamente activa pelo sector público impulsionam a informalidade.
“Vários estudos são desenvolvidos com o propósito de identificar e responder às causas pelas quais as pessoas optam pelo sector informal onde se furtam ao pagamento dos impostos”.
Nas reflexões produzidas, ficou também claro que a prática de actividades informais não acontece somente em países emergentes de facto, mas que também já é visível naqueles com um reconhecido grau de industrialização.
Também foi apontada como causa de crescente informalidade a incapacidade das instituições em elaborar políticas destinadas a criar condições para formalizar os que actuam no sector informal.

África
Quanto ao continente africano, o encontro entendeu que o continente mostra, normalmente, taxas que variam entre 25 e 65 por cento, sendo este o real caso de Angola. Contudo, o sector tem gerado rendimentos consideráveis e acima de tudo garante sobrevivência de uma parte significativa das famílias, com alta incidência às que residem em zonas urbanas e periurbanas.
Foi dito naquele encontro que grande parte das empresas e pessoas migra para a economia informal não por opção própria, mas em consequência da falta ou redução de oportunidades na economia formal.

Fomento do empreendedorismo e
materailização dos planos são cruciais

O Governo de Angola vai promover a integração progressiva da economia informal para o modelo formal, conforme garantiu, recentemente, o ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca.
Uma vez identificadas as causas da crescente informalidade, o Governo entende ter bases para criar políticas e ambiente de negócios competitivos e produtivo, baseado na concorrência e na competitividade.
O ministro Pedro Luís da Fonseca assegurou, por outro lado, que o Governo vai ainda promover a política de emprego e melhores condições de trabalho, com base no programa de reconversão da economia informal, empregabilidade e melhoria da organização e das condições de trabalho.
Por sua vez, o economista Lopes Paulo, que falou sobre as políticas públicas para gestão de trabalho e renda, explicou ser das principais medida a implementar a criação de condições para que a economia volte a crescer e criar empresas que produzam riqueza.
Lopes Paulo disse também ver no Plano Nacional respostas, mas prefere valorizar a materialização das idéias, a fim de colmatar-se os actuais défices.
Já o docente universitário Yuri Quixina defendeu que a redução da economia informal em Angola passará pelo fomento do empreendedorismo, pois estes buscam o dinheiro na banca e pagam os impostos ao Estado.
Incentivou a aposta na poupança pública ou privada ao contrário do endividamento para a geração de renda.
O que não terá ficado longe das opiniões de vários outros intervenientes à mesa redonda foi o que entendem ser necessidade de o Estado baixar a carga fiscal, para alargar a base e assim muitos contribuírem mesmo que com pouco.