A compra e venda de bens ao exterior (Balança de Pagamentos) registou, no II trimestre de 2018, um saldo global superavitário na ordem de 1,17 mil milhões de dólares, contra um défice de 2,62 mil milhões de dólares registados no período homólogo de 2017, fruto da melhoria no desempenho da Conta Corrente, particularmente da conta de bens.
Por sua vez, a conta corrente registou, no mesmo período, uma melhoria significativa, comparativamente ao período homólogo do ano de 2017, o que permitiu passar de um saldo deficitário de 1,54 mil milhões de dólares para outro superavitário de 2,59 mil milhões de dólares, representando uma evolução positiva na ordem de 267,7 por cento.
Contribuiu para este resultado, o bom desempenho da Conta de Bens com um aumento na ordem de 53,1 e a contribuição da redução dos serviços, rendimentos primários e secundários na ordem de 40,1%, 12,9% e 80,9 por cento respectivamente.
A evolução positiva da Conta Corrente resultou, principalmente, do aumento do superávit da Conta de Bens em virtude do aumento das exportações na ordem de 34,8 por cento, tendo o rácio da conta corrente, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), passado de 5,2 por cento negativo, no segundo trimestre de 2017, para 9,2% no período em referência. O PIB referente ao ano 2017, no valor de kz 20.262,30 mil milhões, equivalentes a usd 122.123,8 milhões foi extraído das Contas Nacionais e o PIB de 2018, no valor de kz 28.832,4 mil milhões, equivalentes a usd 113.558,2 milhões, tem como fonte a Programação Macro Executiva em vigor.

Conta de bens
O comércio internacional de mercadorias entre Angola e o resto do mundo, no segundo trimestre de 2018, mostrou-se favorável para o país, devido ao aumento das receitas de exportação em magnitude superior ao aumento das despesas de importação.
O saldo da Conta de Bens foi favorável em função do total das exportações (10,72 mil milhões de dólares) a superarem, largamente, o total das importações (4,09 mil milhões) no período em análise, tendo registado um excedente de 6,63 mil milhões contra 4,33 mil milhões do período homólogo, o que representa um crescimento de 53,1 por cento em relação ao período homólogo de 2017.

Exportações
O petróleo bruto continua a liderar a estrutura das exportações do país. Deste modo, o aumento das exportações deveu-se, sobretudo, ao aumento do preço médio do petróleo bruto no período, apesar da redução verificada em termos do volume das exportações. O preço médio das ramas angolanas passou de 49 dólares por barril no segundo trimestre de 2017 para usd 74,1, no trimestre em referência, ao passo que o volume das exportações de petróleo passou de 146,1 milhões de barris para 129,0 milhões de barris, redução influenciada por razões de ordem técnica e operacional.
As receitas de exportação de petróleo bruto cifraram-se em 9.55 mil milhões no segundo semestre de 2018 contra 7.16 mil milhões do mesmo período do ano anterior. De realçar também o aumento das receitas resultantes da exportação de gás, com maior enfase para o LNG, em 119,1 por cento (381,6 milhões de dólares), seguido dos refinados de petróleo. Dentre outros produtos que compõem a carteira das exportações, importa realçar a redução das receitas provenientes da exportação de diamantes.
O efeito preço (135,2%) foi o factor determinante para o aumento das receitas de exportação de petróleo bruto, apesar do impacto negativo do efeito quantidade (53,2%)”.
As outras exportações registaram uma ligeira redução na ordem de 0,2 por cento, em virtude da redução das receitas observadas no Sector da indústria transformadora e extractiva, com realce para a madeira (devido ao período de veda de exploração imposto pelo Ministério de tutela ao abrigo do Decreto Presidencial no 171/18 de 23 de Julho) e o granito.
Dentre os principais países de destino das exportações de petróleo bruto angolano, a China manteve-se como o principal país importador, com uma quota de cerca de 60,8 por cento, seguida da Índia e dos Estados Unidos com 6,7 e 5,1 por cento, respectivamente. Este crescimento das exportações de petróleo bruto foi influenciado sobremodo pelo aumento expressivo na ordem dos 165,5 e 38,1 por cento do petróleo exportado para os EUA e a China, respectivamente.

Dubai leva mais diamantes

Apesar da redução na exportação de diamante em termos de volume na ordem dos 29,1 por cento e em valor em cerca de 12,5 no período em análise, esse produto continua a ocupar um lugar de destaque na carteira dos produtos exportados. Para a referida redução, concorreu a diminuição do volume exportado nos diferentes ciclos de exploração das operadoras do sector e outros factores exógenos, condições climáticas, qualidade das pedras que compõem o lote que influenciaram a produção, apesar de ter ocorrido um aumento no preço médio por quilate, passando de 107,9/quilates no período homólogo de 2017 para 133,1/quilates no trimestre em referência.
Os principais países de destino dos diamantes extraídos em Angola foram os Emirados Árabes Unidos, ao importar cerca de 87,8 por cento do valor total exportado no segundo trimestre de 2018, seguido de Hong Kong, Suíça e Israel com um peso de 8,1, 3,7 e 0,4 por cento, respectivamente.

Importações
A oferta externa de bens para satisfazer as necessidades internas de consumo e investimento atingiu 4.09 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2018, o que representou um acréscimo em termos monetários na ordem de 12,8 por cento comparativamente ao período homólogo de 2017, apesar de se ter verificado a redução das quantidades importadas em 10,6. Não obstante a depreciação da moeda nacional face às principais moedas de referência internacional, ao abrigo do novo regime cambial, o maior acesso às cambiais terá contribuído para o aumento do nível de importações observadas no período em análise.

Importações privilegiaram cinco sectores

As categorias que mais contribuíram para o crescimento das importações foram, essencialmente, os bens alimentares, as máquinas, aparelhos mecânicos e eléctricos, os combustíveis e os veículos, tendo as despesas com as suas importações representado cerca de 69,4 por cento do valor total das importações do trimestre em análise.
A produção interna continua a representar baixos níveis para a satisfação das necessidades. Como consequência, a importação de bens de consumo corrente apresentou um peso significativo na estrutura das importações de 69,7 por cento do valor total (destacando-se 20,5 para bens alimentares, 16,3 para combustíveis e 14,1 para veículos), ao passo que o peso dos bens de capital, factor catalisador do processo de diversificação económica, foi de 18,7 por cento (máquinas, aparelhos mecânicos e eléctricos), seguido dos bens de consumo intermédio com 11,6 do valor total das importações (material de construção e plásticos, borrachas e couro).
Os principais parceiros comerciais de Angola no segundo trimestre de 2018, no que diz respeito à procedência das importações, foram Portugal (14,3%), China (13,5%), Brasil (9,0%) e Bélgica (7,8%), totalizando 44,6 por cento das importações totais.

Serviços
A conta de serviços no segundo trimestre de 2018 apresentou um défice na ordem de 2.20 mil milhões de dólares, tendo o mesmo reduzido em 40,1 por cento comparativamente a 2017 cujo défice foi de 3.68 mil milhões de dólares. Esta redução deveu-se, entre outros factores, à diminuição da capacidade financeira dos intervenientes da actividade económica dos diversos sectores para contratarem serviços específicos prestados por não residentes.
Especificamente do lado das despesas destaca-se a diminuição verificada nas rubricas de construção em cerca de 395,6 milhões de dólares, devido ao abrandamento da actividade económica, e de outros serviços de negócios em 831,9 milhões em linha com o comportamento do Sector Petrolífero.