A República Democrática do Congo (RDC) não se opõe à decisão angolana de proteger os seus recursos contra a invasão estrangeira, muito pelo contrário apoia e a incentiva.
Na voz do recém-empossado Presidenre da República, Félix Tshisekedi, o estadista congolês garantiu que há legitimidade de Angola na protecção da sua riqueza, face à exploração desta por estrangeiros ilegais.
“Quero maior colaboração com o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de Angola, de modo a que as expulsões sejam feitas em sintonia com as autoridades da RDC”, solicitou.
Tshisekedi apelou à comunicação prévia para que o seu país prepare as condições para os receber em território congolês, considerando que a emigração ocorre por instinto de sobrevivência.
O Presidente Félix Tshisekedi anunciou para o primeiro trimestre do ano em curso a realização da próxima sessão da Comissão Mista Angola-RDC, num encontro marcado para a capital congolesa, Kinshasa.
A reunião da Comissão Mista entre os dois países estava marcada para o mês de Fevereiro de 2018, o que não aconteceu.
Segundo o Presidente da RDC, o apoio do Estado angolano é fundamental para a estabilidade no seu país.
“Queremos colaborar em todos os projectos e domínios”, disse Félix Tshisekedi, que escolheu Angola como primeiro a visitar após ter sido investido.
Na ocasião, o presidente congolês informou ter convidado o Chefe de Estado angolano a participar nas exéquias do ex-líder da oposição congolesa, Etienne Tshisekedi, que morreu em Fevereiro de 2018, em Bruxelas, Bélgica, país onde permanecem os seus restos mortais.
Defendeu, como prioridades do seu mandato, assegurar o processo de reconciliação nacional, lutar contra o tribalismo e promover a unidade, ao mesmo tempo que espera dotar as forças armadas de meios para a pacificação do país.
Comprometeu-se em reunir-se com os chefes de Estados vizinhos para eliminar os focos de conflitos, visando o alcance da paz na Região dos Grandes Lagos.
Disse não existir ainda qualquer acordo com as diferentes forças políticas, mas deu indicações de estar próximo de uma aliança com o partido do presidente cessante.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), no III Trimestre de 2017, a RDC foi o segundo maior destino das exportações de Angola, no comércio entre os africanos só atrás da África do Sul, com um total de 4.403 milhões de kwanzas.
Sabe-se que no quadro da Operação Transparência, em curso em Angola desde o dia 25 de Setembro último, cerca de 380 mil migrantes saíram voluntariamente do país, sendo maioritariamente da RDC.