Um acordo quadro no valor de 500 milhões de dólares foi assinado ontem, em Berlim, entre o Governo angolano, representado pelo Ministério das Finanças, e o Commerzbank da Alemanha, no âmbito da visita do Presidente João Lourenço àquela nação europeia.
Pela parte angolana, assinou o documento Archer Mangueira, ministro das Finanças, e pelo Commerzbank fez o mesmo Thomas Rybicki, vice-presidente para a Área de Financiamento às Exportações do banco alemão.
De acordo com uma fonte da presidência da República de Angola, o acordo quadro marca o início de uma nova etapa nas relações bilaterais, sendo que neste novo ciclo, prevê-se que o financiamento público sirva como alavanca para o investimento privado.
Este acordo tem como principal objectivo o financiamento de infra-estruturas críticas para o desenvolvimento económico de Angola e a importação de equipamento diverso de origem germânica.

Angola pede apoio
Angola conta com o investimento e a “vasta” experiência e competências dos empresários alemães, para ultrapassar e vencer as condições financeiras que se deterioraram a partir de 2014.
A afirmação é do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, quando discursava em Berlim, no dia 23, no fórum empresarial, no quadro da visita à Alemanha.
Na ocasião, o Presidente angolano explicou que devida a conjuntura internacional, geraram dificuldades de liquidação de operações em moeda estrangeira e o consequente aumento de dívidas para com as empresas nacionais e estrangeiras, entre as quais algumas alemãs.
Apesar desses “entraves e limitações”, João Lourenço garantiu que estão “agora” criadas as condições para uma economia mais aberta e competitiva, com a nova legislação sobre o investimento privado e a política cambial, a lei da concorrência, a facilidade de circulação de pessoas, a garantia do repatriamento de capitais e da transferência para o exterior de dividendos e lucros.
Informou que Angola exporta para a Alemanha essencialmente petróleo bruto e seus derivados e gás natural, importando maquinaria, veículos automóveis e equipamentos.
“É evidente que existem novas e inúmeras oportunidades de cooperação bilateral por explorar e desenvolver, justificando-se já a criação entre nós de uma Câmara de Comércio para apoio aos empresários que pretendam investir no mercado angolano e para o fomento de pequenas empresas mistas”, apontou.
O Presidente angolano gostaria de ver o investimento alemão na exploração do minério de ferro e na produção do aço.
“Gostaríamos de ver realizadas parcerias público-privadas com empresas alemães na construção de auto-estradas com ligação aos países vizinhos, nomeadamente com a Namíbia, a Zâmbia e a RDC para facilitar e dinamizar o comércio regional, de igual modo também na produção e distribuição de energia de todas as fontes, hídrica, solar ou a partir dos resíduos sólidos das grandes cidades, assim como na ampliação e exploração da actual rede ferroviária do país”, disse.
Informou que a concessão da exploração dos Caminhos-de-ferro de Benguela está em estudo, “mas a acontecer nos termos em que vier a ser definido, gostaríamos de interessar os investidores alemães a concorrer no devido ao momento”.

Reforço
Em conferência de imprensa conjunta com o Presidente João Lourenço e a Chanceler alemã, Angela Merkel, a anfitriã garantiu que há muito interesse em que a costa angolana seja assegurada, sublinhando que “não existe desenvolvimento sem segurança, nem segurança sem desenvolvimento”.
Por sua vez, o secretário de Estado da Economia do Governo alemão, Thomas Barren, sublinhou que o seu país pretende ter uma “boa parceria” com Angola, tendo apontado os sectores como o da Agricultura, Transportes, Turismo, Geologia e outros.