A judiciosa gestão da política monetária recomenda que, a concessão de crédito à economia deve obedecer a determinados limites, dado o impacto desta variável sobre o mecanismo de expansão monetária e, consequentemente a sua relação com a inflação.
No entender de Paulo Ringote, as estatísticas monetárias e financeiras, referentes a Abril, recentemente disponibilizadas pelo banco central, confirmam a afirmação subjacente na questão.
O valor do crédito a outros sectores residentes foi de 3.667 mil milhões de kwanzas, o que representa à média do câmbio oficial, cerca de 16,3 mil milhões de dólares americanos.
“É necessário incorporar na análise o histórico recente da concessão de crédito e, sobretudo, o crédito mal parado existente na carteira de crédito dos bancos”, disse.
Ao longo dos últimos 10 anos, houve no entender de Paulo Ringote, em média, um crescimento do crédito à economia, apesar das taxas anuais de crescimento do crédito terem sido sempre acompanhadas por iguais taxas de crescimento do crédito vencido ou mal parado. Este crédito, conforme disse, esteve, maioritariamente, concentrado em actividades não produtivas com impacto reduzido sobre o crescimento económico, nomeadamente sector de “Outras actividades de serviços colectivos, sociais e pessoais”, os sectores de “particulares” , “comércio a grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis, motociclos e de bens de uso pessoal e doméstico”.
Para o economista, é necessário incorporar as informações do “mal parado” do Banco de Poupança e Crédito e sobretudo, não perder de vista o impacto do mal parado que esteve na origem da resolução em 2014, do Banco Espírito Santo Angola.

Gestão criteriosa
Estes dados e a informação histórica recomendam, sim, à banca uma gestão criteriosa da carteira de crédito.
Uma análise diametralmente oposta está relacionada com o crédito concedido ao sector público (excluindo administração central), que registou um crescimento médio no primeiro quadrimestre de cerca de 52 por cento, comparativamente ao período homólogo do ano anterior. Ressalta à vista, nesta análise, a questão das garantias que os particulares geralmente têm dificuldade em constituir, em oposição às instituições do sector público. À guisa de remate, o que se está a verificar em termos do crédito ao sector privado é de assinalar, já que, poderá ser o início do arco virtuoso do crescimento com estabilização, como acima nos referimos.