As três principais agências mundiais de avaliação de risco ou notação financeira atribuíram, na quarta-feira da semana passada, 19 de Maio, pela primeira vez na história do país, uma classificação a Angola, com a Standard & Poor’s (S&P) e a Fitch Ratings a apostarem no B+ para o longo termo e a Moody’s a ficar-se pelo B1.

Após um longo processo negocial que teve início no princípio de 2009, Angola obteve da S&P um B+ para o longo prazo e um B para o curto, sendo a classificação da Fitch Ratings semelhante para o longo prazo e um Outlook positivo, enquanto a Moody’s optou por uma avaliação de B1.

Nos casos da S&P e a Fitch Ratings, as escalas classificativas, que podem ser acrescidas dos sinais aritméticos + (mais) e – (menos) vão de AAA (a mais alta qualidade e garantia) a D (incapacidade de pagamento do avaliado). A Moody’s vai de Aaa a C.

Reacções positivas

O Governo angolano reagiu positivamente à esta primeira avaliação, que, mesmo não sendo a ideal, representa um primeiro passo e um importante marco no aprofundamento da integração da economia do país nos mercados internacionais, por melhorar o seu estatuto nos mercados financeiros e na economia globais.

O ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, considerou as avaliações muito positivas, por, no seu entendimento, traduzirem o bom desempenho da economia nacional. A forma como as agências classificaram Angola demonstra o bom desempenho da economia angolana, sobretudo depois de alcançada a paz, em 2002, disse o governante.

“As três classificações são praticamente no mesmo sentido”, apontou ainda Manuel Nunes Júnior, em declarações a jornalistas pouco depois do anúncio. Segundo ele, as três agências de rating apresentam uma perspectiva positiva da economia angolana e o país pode, em muito pouco tempo, chegar a níveis superiores de classificação, o que significa de forma clara uma perspectiva positiva para a economia do país.

“Consideramos muito positivo este cenário, sobretudo porque o país tem classificação nas agências de rating pela primeira vez”, disse, antes de acrescentar que “estas classificações revelam o reconhecimento da comunidade internacional relativamente ao avanço da economia angolana nos últimos anos”.

O processo de integração do país nas classificações de rating das três agências teve início em 2009, altura em que o Governo angolano anunciou a intenção de contrair um empréstimo obrigacionista de quatro mil milhões de dólares norte-americanos, após a queda abrupta do preço do petróleo.

Visão equilibrada

Em termos comparativos, a agência S&P confere tanto a Angola como à Nigéria o mesmo patamar B+, enquanto o Ghana, Cabo Verde, Uganda, Moçambique e Quénia estão classificados, ou no mesmo patamar, ou num patamar inferior. Contudo, diferentemente desses países, a perspectiva positiva para Angola, tanto da Moody’s quanto da Fitch Ratings, constitui a indicação da existência de um potencial de elevação de Angola para uma categoria BB (a categoria imediatamente superior a B+), num prazo relativamente curto, caso as perspectivas de progresso económico e institucional das agências se materializem. Significa isto que, para já, está fora de hipótese uma revisão da avaliação de Angola por baixo (downgrade), sendo que, muito rapidamente, o mais provável é que essa revisão seja por cima (upgrade).

De acordo com os relatórios das agências, a classificação de Angola reflecte uma visão equilibrada da sua dotação de recursos naturais e das boas perspectivas de estabilidade macroeconómica, de maior crescimento económico e desenvolvimento, bem como a necessidade de reforço da capacidade institucional do Governo.

As agências apreciaram favoravelmente os recentes esforços do Executivo para a reconstrução das infra-estruturas do país, que vêm aumentando a capacidade produtiva dos sectores não petrolíferos e contribuindo para superar os constrangimentos relativos à produção interna. De igual modo elas avaliaram positivamente os esforços de longo prazo para a consolidação da estabilidade política e as mudanças constitucionais e institucionais recentes. As agências também apreciaram as medidas em curso no âmbito das políticas fiscal e monetária e para diminuir a vulnerabilidade da economia à volatilidade dos preços do petróleo.

A esse respeito, consideram o programa acordado entre Angola e o FMI, em fins de 2009, como um factor positivo, que mostra a determinação do Executivo de seguir adiante com as políticas visando a normalização dos mercados, a manutenção da estabilidade macroeconómica e a diversificação económica.

Finalmente, as agências consideram que a forte retoma do crescimento económico, em 2010 e nos anos futuros, contribuirá para o êxito das medidas do Executivo e para que se alcance níveis maiores de diversificação económica do nosso país.