Dez maiores empresas alemãs demonstraram interesse em investir nas áreas de energias renováveis, agricultura e produção industrial.

A vinda da chancelar alemã Angela Merkel a Angola abriu novas oportunidades para a cooperação entre os dois países. Ambas as partes pretendem, agora, envidar esforços para apoiar o desenvolvimento e o alargamento de uma parceria mutuamente vantajosa nas áreas de energia, telecomunicações, tecnologia, fabrico de bens nos sectores da construção de máquinas, indústria alimentar e comércio.

Neste último, sector os dois países já sairão a ganhar muito brevemente. Angola vai construir três grandes barragens hidroeléctricas que vão ter equipamentos electromecânicos de origem alemã, num negócio comercial que ronda mil milhões de euros.

Com efeito, durante a estadia de Angela Merkel no nosso país, foram assinados dois memorandos que visam a parceria estratégica entre os dois países nos vários domínios. Angola, por exemplo, pretende que os financiamentos para os projectos no país atinjam mil milhões de dólares, em contrapartida, o país possibilitará à economia alemã uma participação no programa nacional em vários sectores como água, energia, indústria, saúde, construção e formação profissional.

Além disso, um encontro económico alemão-angolano, com o objectivo de estreitar as relações nos vários domínios entre os dois países teve lugar em Luanda, com as presenças da chanceler, Angela Merkel, e do vice-presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos.

A troca de experiência e discussões em torno das perspectivas e mecanismos para o fortalecimento da cooperação económica entre Angola e a Alemanha foram os principais aspectos do fórum económico entre os dois países.

O vice-Presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos, considerou necessária a consolidação do diálogo bilateral entre Angola e a Alemanha. Falando na abertura do evento, disse que este aprofundamento visa a compreensão mútua da realidade de cada país e a melhor inserção na economia global.

Fernando da Piedade Dias dos Santos disse ainda que os dois países devem desenvolver uma cooperação que crie, cada vez mais, um valor acrescentado para ambas as partes, de forma a tornar as relações económicas mais equilibradas e sustentáveis a longo prazo.

Por outro lado, o vice-Presidente referiu que a visita de Angela Merkel a Angola evidencia bem os fortes laços de amizade e de solidariedade que sempre caracterizaram as relações entre os dois povos e governos que datam desde os primórdios da luta pela libertação nacional do país.

Acrescentou que a presença neste evento é a demonstração evidente da vontade de aprofundar e relançar as relações políticas, económicas, empresariais e culturais entre os dois países. Frisou que desde o advento da paz, em 2002, o Executivo angolano deu início ao processo de consolidação desta e da democracia, reconstrução nacional e de desenvolvimento sustentável, com vista à criação de uma sociedade mais justa equitativa e assente na igualdade de oportunidade para todos os cidadãos.

Neste sentido, acrescentou, o Executivo angolano tem implementado políticas legislativas, económicas e sociais, visando proporcionar um clima favorável ao aumento da eficácia da actividade empresarial.

O vice-Presidente referiu que, deste modo, o Executivo angolano fez aprovar um conjunto de diplomas legais que, entre outros objectivos, assegurem o respeito pela propriedade privada, a livre iniciativa económica, a sã concorrência entre os agentes económicos e a segurança e protecção dos investimentos, conferindo igualdade entre nacionais e estrangeiros.

Esclareceu que com estas medidas legais foram simplificados e tornados céleres os procedimentos para a aprovação de investimentos e de constituição de empresas, assim como a criação de um conjunto de facilidades, de incentivos e de benefícios fiscais e aduaneiros para os investidores.

Cooperação empresarial

Fernando da Piedade Dias dos Santos defendeu ainda que os empresários alemães podem contribuir para o desenvolvimento do sector privado nacional. Referiu que este facto pode dar-se através da transferência de conhecimentos científicos e tecnológicos. Esta transferência, frisou, deve contribuir para impulsionar o desenvolvimento económico e social de Angola.

No seu discurso, encorajou igualmente todas as instituições da Alemanha e de Angola, que se têm empenhado no fortalecimento das relações económicas, comerciais e culturais entre os dois países, em benefício da prosperidade dos dois povos. Fernando da Piedade Dias dos Santos fez votos de que os resultados deste encontro correspondam aos interesses e às expectativas de ambas as partes.

Os representantes das cerca de 10 empresas alemãs no fórum mostraram interesse em investir no país nas áreas das energias renováveis, agricultura e produção industrial, por oferecerem grandes possibilidades para o desenvolvimento sustentável.

Entre os governantes e empresários presentes destaque para o secretário de Estado do Ministério do Comércio e Tecnologia alemão, Jochen Homann, e os representantes de 10 das maiores empresas deste país.

Da parte angolana, o vice-ministro do Planeamento, Job Graça, e o presidente da Comissão de Reestruturação da Anip, Aguinaldo Jaime.

Angola e a Alemanha reforçaram em 1994 as relações bilaterais com a assinatura de um acordo de cooperação técnica nas áreas de reinserção social, saúde, educação e agricultura.

Em Fevereiro de 2009, os dois países rubricam, em Berlim, na sequência da visita oficial que o Presidente José Eduardo dos Santos efectuou a este país, um memorando de entendimento sobre uma parceria estratégica para a ampliação e o aprofundamento da cooperação económica.

A República Federal da Alemanha é um país localizado na Europa central, limitado a Norte pelo mar do Norte, Dinamarca e pelo mar Báltico, a Leste pela Polónia e pela República Checa, a Sul pela Áustria e pela Suíça e a Oeste pela França, Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos.

O território da Alemanha abrange 357.021 quilómetros quadrados e tinha 81,8 milhões de habitantes em Janeiro de 2010. Tem a maior população entre os Estados membros da União Europeia.

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