Sergio Marchionne foi o homem que reconstruiu a Fiat e também o único italiano que, nos últimos anos, teve os seus pensamentos estudados da mesma maneira que se estuda os grandes gurus norte-americanos de estratégia empresarial e de administração. Por isso, é protagonista de muitos livros que tentam sintectizar o “modelo Marchionne”.
Com os graves problemas de saúde do gestor da Fiat Chrysler, que foi substituído por Mike Manley no posto de CEO do grupo, as palavras de Marchionne se tornaram o melhor guia para compreender a dimensão revolucionária do seu pensamento para a montadora italiana e, provavelmente, para muitas pessoas que se interessam por gestão.
A Era Marchionne começou em 2004, quando foi indicado como CEO da Fiat, que estava à beira da falência, poucos dias depois da morte de Umberto Agnelli. Foi uma obra de arte: Marchionne convenceu os Agnelli a abrir mão da opção de venda à GM, que chegou a desembolsar 1,55 mil milhões, dinheiro de que na época a Fiat precisava muito, pela prioridade de compra e explicou a sua estratégia na mesa de negociação. Veja, as nove lições de Marchionne sobre liderança e gestão:
1.A liderança não é anarquia.Numa grande empresa, quem comanda está sozinho. A culpa colectiva, a responsabilidade dividida, não existe;
2. Os líderes, são pessoas que têm uma capacidade fenomenal de desenhar e redesenhar relações de colaboração criativa dentro das equipas;
3. Sejam como os jardineiros: invistam as suas energias e os seus talentos de modo que qualquer coisa feita dure uma vida inteira ou até mais tempo ainda;
4. O direito de dirigir uma empresa é um privilégio e, como tal, é concedido apenas a quem demonstrou ou demonstra o potencial de ser líder e produzir resultados concretos;
5. O carisma não é tudo. É como a beleza nas mulheres: a longo prazo não basta;
6. O que eu aprendi com todas as experiências como gestor nos últimos anos é que a cultura empresarial não é apenas um elemento da partida, mas é a partida em si;
7. As organizações não são nada mais do que o conjunto da vontade colectiva e das aspirações das pessoas divididas;
8. Se eu tenho um método, é um método que se inspira em uma flexibilidade monstruosa com apenas uma característica destinada à concorrência: ser desenhado para responder às exigências do mercado. Se falhar nessa regra, é um método que não vale a pena”.
9. Não acredito na regra de que os mais jovens são mais capazes. Pelo contrário. Eu acredito no reconhecimento das capacidades das pessoas, tenham elas 30 ou 60 anos.