Apesar de alguma melhoria na prestação de serviços que se regista a partir de 2007, o sector gráfico em Angola está muito longe de satisfazer a procura no mercado nacional, com particular incidência na cidade de Luanda, por excelência, o pulmão político, económico e industrial do país.

Até aquela altura, o país gastava anualmente cerca de 50 milhões de dólares com o recurso ao mercado externo e às importações, dada a carência que se registava no parque gráfico nacional. Os lucros dos fornecedores estrangeiros correspondiam a 10 milhões de dólares anuais, ou seja, ao dinheiro correspondente a quatro ou cinco pequenas indústrias gráficas que o país ganharia internamente.

Os elevados gastos estavam relacionados, sobretudo, com as

encomendas no estrangeiro de livros escolares, razão pela qual o Executivo orientou que, a partir de 2009, mais de 30 milhões de livros escolares da primeira à sexta classe fossem produzidos no país, com encomendas feitas a gráficas nacionais.

Esta reviravolta no sector gráfico reflectiu-se também no surgimento de novos projectos gráficos privados e na reabilitação e modernização dos então já existentes no mercado.

Parque gráfico

Embora de fraca produção, grande parte dos investidores no negócio aceitam que se fale já na existência de um parque gráfico no país.

Esta opinião é, também, partilhada por associações industriais, que convergem no facto de existir uma crescente necessidade de se estimular as artes gráficas do país, fazendo com que se faça cada vez menos recurso ao estrangeiro como fonte de prestação de determinados serviços.

O caminho a adoptar passa pela especialização dos agentes, aplicação e adaptação às novas tecnologias e um ligeiro agravamento das taxas aduaneiras no que se refere à importação de serviços gráficos acabados.

Estima-se, por outro lado, que actualmente o parque gráfico do país esteja constituído por cerca de 20 unidades industriais, na sua maioria instaladas em Luanda. A execepção é Benguela, que surge na lista de detentores de operadores gráficos, com a gráfica Aguedense, instalada no Lobito.

Fazendo recurso ao perío- do histórico das artes gráficas angolanas, é possível concretizar-se que este sector é dos poucos que mesmo em épocas mais difíceis do país manteve a sua actividade, razão também aceite para que se compreendam os principais motivos da sua concentração na cidade de Luanda.

Na actualidade, as unidades gráficas continuam a merecer a confiança, ora do mercado, ora dos operadores públicos, com principal destaque para as gráficas das Edições de Angola, Damer, Lito Tipo, Ponto Um, Mercográfica (que integra a Socográfica, Seis Gráfica e a Impress), Offset, Imprensa Nacional, Edições Novembro, Sopol, Pontual e Imprima Angola. Estas, em sí, associadas a outras de menor dimensão, têm respondido às solicitações e mantêm firme a certeza da indústria.

Também existem algumas pequenas iniciativas, cujo desempenho já vem merecendo algum destaque, sendo este o caso da Irmãos Gráfica, uma unidade montada no município do Rangel, em Luanda, muito recentemente, que tem dado uma excelente cobertura às solicitações para os trabalhos de pequena e média dimensão.

A grande diferença entre os operadores das artes gráficas está, maioritariamente, no tipo de serviços em que se especializam e dispõem para o mercado.

Por exemplo, se, no caso da Edições Novembro, a produção recai inteiramente à feitura de jornais, a Damer, por sua vez, tem capacidade instalada para a produção de jornais, livros, revistas e até cartões de recarga para os serviços de telefonia.

Já a Imprima, a Pontual e a Irmãos Gráfica especializam-se na prestação de serviços de serigrafia (timbragem e impressão em t’shirts, bonés, camisolas, esferográficas e outros serviços).

Além destes factores, um outro que contribui para o diferencial entre as empresas é o preço dos serviços e a qualidade associada à produção.

Plano Executivo

De acordo com o Plano Executivo do sector para o período 2009-2012, está prevista a construção de 18 unidades de produção, num investimento global de 90 milhões de dólares, que vai abranger a totalidade das provínciais do país, ficando para cada região a implantação de uma unidade.

Promovida pelo Ministério da Indústria e da Geologia e Minas, a iniciativa vai permitir, de igual modo, a criação de 900 postos de trabalho e tem como parceiros os bancos privados e o de Desenvolvimento de Angola (BDA).

Além dos projectos de construção, o Plano Executivo do sector prevê a reabilitação de oito gráficas, num esforço financeiro de 20 milhões de dólares, com a garantia de se criarem outros 600 postos de trabalho.

Prevê-se que, deste modo, as artes gráficas e a produção de materiais publicitários, no país, ganhem um novo fôlego.

Dados do sector recomendam que, entre as principais fontes de receitas das empresas gráficas, tal qual em épocas anteriores, persiste a produção de rótulos comerciais e publicitários que estão sobretudo ao serviço do sector alimentar.

Contudo, esta realidade tem vindo a sofrer significativas alterações, uma vez que os operadores vão-se esforçando na diversificação da sua produção e na consequente estratégia de servir as necessidades do mercado interno.

Face a este ambiente, a certeza é de que com a recuperação e construção de novas unidades, as artes gráficas no país ultrapassem em definitivo o espectro da importação e como salto qualitativo dinamizem a produção em massa de livros, jornais, revistas e outros serviços inerentes a este estratégico vector da nossa indústria.

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