O empresário angolano Bartolomeu Dias, disse aos jovens empreendedores participantes da última conferência que fez, na Mediateca 28 de Agosto, em Luanda, a convite do “Club BweFixe”, que aos 23 anos de idade era o maior importador de produtos perecíveis no país e as suas técnicas podem ajudar a orientar as pessoas.
Segundo o empresário, se tornou órfão aos seis meses de idade. O pai e a mãe não sabiam ler nem escrever. Ainda sim, não se tornou marginal, tão-pouco mau aluno, pois a bolsa que teve para se formar em Cuba, deveu-se ao empenho e dedicação nas aulas, ao ponto de constar na lista dos melhores alunos nas turmas por onde passou.
As pessoas passam por muitas dificuldades e pensam que é o fim. Não verdade constitui a grande oportunidade para mudar o quadro uma vez por todas. Muito cedo prometeu a sua mãe que compraria um avião e cumpriu a sua promessa.
O empresário, contou também, que o seu primeiro negócio foi a compra e venda de milho seco. Havia muita fome nos grandes centros urbanos, face à situação política prevalecente na altura. As pessoas não tinham o que comer. Passou a comprar milho no município do Quipungo, na Huíla, para comercializar na capital da província da Huíla.
De seguida passou a comprar leite em pó, para comercializar em Luanda. Deste negócio, acumulou o equivalente a 400 dólares norte americanos e compra uma pulseira de ouro. Viaja para o Brasil e revende a pulseira há 700 dólares. Com os ganhos obtidos, compra Havaianas e começa o seu império, hoje constituído por 23 empresas distribuídos entre Angola,Portugal, Dubai e China.
Multiplicou os negócio, passou a diversificar e multiplicou os lucros. Depois passou a importar frescos do Brasil para comercializar no país. Com os ganhos obtidos, passou alugar as viaturas da “Frescangol”, na altura para comercializar peixe e carne em alguns pontos da cidade.
Para o empresário, os objectivos dos jovens podem ser alcançados caso haja foco, pois, para ele, ser empresário é uma arte. “Não é correcto ter os ganhos como foco, mas sim as bases é que vão sustentar os lucros. É preciso trabalhar primeiro para depois ganhar”, disse.
Um empreendedor, não deve, de acordo com Bartolomeu Dias, viver da aparência, imitação, tão-pouco a ser imediatista. “Para ser empreenderdor é preciso ser criativo, dinâmico e ter foco”, aconselhou.
No que diz respeito aos bancos, o empresário afirma que estes nunca emprestam dinheiro sem garantias e os jovens não dispõe destas garantias, por isso o conselho é começar com pequenos negócios com muita disciplina rumo às metas desejadas. “Não é correcto se manter no mesmo negócio, sobretudo para quem está a começar. Depois de vender o copo compra fósforos e prossiga”, afirma.
Iniciar negócio sem dinheiro, advogou, que é possível, desde que se aposta na intermediação. Para ele, o primeiro passo passa por identificar uma oportunidade de negócio e um possível cliente. De seguida, procurar aproximar os dois para retirar o seu dividendo. “No entanto, é preciso ser honesto acima de tudo. Os desonestos não vão longe”, alertou.
“Não é possível construir uma base de empresários fortes no país, começando com o Alvará Comercial. Com o “Alvará Comercial ninguém fica rico”. É preciso fazer o processo inverso. Em primeiro lugar treinar a pessoa colocando a mão na massa, para depois legalizar a iniciativa”, concluiu, lembrando, que negócio não se faz
com complexos e vaidades.