A produção agrícola da campanha de 2008-2009, na província do Kwanza-sul, alcançou uma colheita de mais de 1.281.772 toneladas de produtos diversos, equivalente a mais de 430 milhões de dólares em vendas diversas, com realce para as culturas do milho (170.545 toneladas), o abacaxi (18.053), a banana (27.554), o feijão (26.758), a mandioca (912.367) e a batata-doce (25.861).

Esta safra representa a produção alcançada pelos fazendeiros privados e camponeses em geral.

Os camponeses representam 95 por cento da colheita, numa área de 565.689 hectares, contra as 64.197 toneladas em 18.577 hectares de terra arável dos fazendeiros privados.

A julgar pelos indicadores atingidos na presente campanha, a direcção provincial da Agricultura no Kwanza-Sul prevê atingir para o ano agrícola 2009-2010, que termina em Setembro, altura em que se dá o início de um novo ciclo de plantação (no caso a de 2010-2011), uma colheita satisfatória, se se tiver em conta a manifestação de poucos factores externos (irregularidade das chuvas, forte radiação solar e outros factores internos que prejudicam o crescimento normal das culturas de maior plantação ao nível da província).

Ainda assim, os especialistas do sector na província recomendam muitas cautelas nas análises dos indicadores da primeira fase da campanha, deste ano, uma vez que os resultados só deverão ser colhidos e comparados na sua totalidade a partir do mês de Setembro.

Prioridade à agricultura

De acordo com o chefe do departamento de agro-pecuária da direcção provincial da Agricultura, Pedro Lambuanzau, em função do seu peso na estrutura económica da província, a agricultura continuará a merecer prioridade por parte do Governo, quer local, assim como central, uma vez que ela mesma representa o maior sector de criação de postos de trabalho e de ocupação da maioria das famílias, além de garantir também grande parte do que é consumido localmente, e nas províncias vizinhas.

Pedro Lambuanzau não deixou também de referenciar que a agricultura no Kwanza-Sul já começa a desprender-se da visão de ser eminentemente familiar e para o consumo, pois existem, neste momento, projectos agrícolas de grande dimensão que desenvolvem uma agricultura voltada ao desenvolvimento económico, e de cariz comercial.

“Contrariamente a outras partes do país, já se pratica uma agricultura de desenvolvimento, isto através de grandes fazendeiros que fazem o uso de tecnologias de ponta, e não apenas a de consumo praticada por camponeses do interior. Mas, mesmo no interior, já encontramos camponeses que são detentores de carros e outros instrumentos agrícolas, o que nos faz crer que até estes já estão virados para a prática de uma agricultura comercial”, disse.

O principal desafio, na opinião do também engenheiro geotécnico, da direcção da agricultura no Kwanza-Sul, é o melhoramento e o reaproveitamento da quantidade de produtos que se perdem por falta de escoamento, de mercados e, às vezes, aqueles vendidos por preços que não traduzem e nem compensam os esforços empreendidos pelos camponeses.

Novas mini-indústrias

Com a finalidade de se pôr cobro às elevadas quantidades de produtos diversos que se deterioram, por falta de escoamento e mercados para vendas, a direcção da agricultura, em parceria com o sector da indústria, planeia, nos próximos tempos, implantar as mini-indústrias locais que servirão para transformação daquelas culturas que, face à sua abundância no mercado local, e o surgimento de um certo excedente, como são os casos do tomate, o abacaxi, e outros, necessitam de um reaproveitamento, o que permitirá, deste modo, que estes produtos sirvam para outras utilizações, sempre em resposta à procura de consumo interno, na província e no país, de uma forma geral.

Contudo, o responsável não deixou de recordar que na província do Kwanza-Sul já estão em desenvolvimento vários projectos locais, que visam responder a este desafio de reaproveitar a produção nacional, e outros que trarão grande impacto, sobretudo, através da redução das exportações de sementes e certas culturas.

“Além do projecto CEDEAC e a Aldeia Nova na Cela (Waku-Kungo), temos também a fazenda “Mato Grosso” de produção de arroz na Quibala, a de descasque de café e o “Mundo Verde”, em Amboim-Gabela, e outras de produção de sementes que visam substituir as importações. São projectos que vão ajudar a província de uma maneira geral, mas sobretudo vão servir ao país”, lembra.

O responsável desafiou ainda a que os projectos existentes na província sejam visitados, para uma avaliação da sua imponência, e em como estes são comparáveis a outros existentes em países já industrializados e com forte dinâmica neste sector, casos do Brasil e Holanda.

“Há fazendas na província que, se forem visitadas, não diferenciam em nada daquilo que se vê no Brasil ou Holanda. Portanto, estamos a praticar uma agricultura com tecnologias de última geração”, afirma.

Porém, conforme adianta o responsável local, para o correcto funcionamento de todos os projectos agrícolas implantados ou a implantar, o Kwanza-Sul necessita da instalação de uma linha de electricidade com capacidade para gerar 5 megawatts (MW) de energia.

Reflexos às populações

Questionado sobre como todos os projectos implantados na província se reflectem no modo de vida das populações, Pedro Lambuanzau disse ser fundamentalmente que se leve em consideração o número de postos de trabalho para os jovens e muitas famílias, criados através destes investimentos. Além disso, julga que outro grande reflexo desta realidade é o preço praticado pelos produtos em comercialização no interior da província, comparado com os de revenda em outros pontos de escoamento.

“Os produtos são vendidos a preços baixos aqui na província, o que também justifica o facto de, aos fins-de-semana, grande parte dos luandenses, sobretudo, virem à província em turismo e compra de hortofrutícolas”, finaliza.

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