O comportamento humano nas organizações tem mudado ao longo dos anos e exigindo dos líderes o desenvolvimento de novas habilidades, bem como a melhoria do processo de comunicação, seja ela horizontal ou vertical.
Neste sentido, é importante que a liderança seja acima de tudo uma posição, não apenas uma função ou cargo e para isso, os líderes precisam entender bem o comportamento humano e actuar sobre ele de forma proativa.
Os estudos nesta área são grandes, onde teóricos afirmam que o comportamento humano pode ser resultado de vários itens, desde a formação genética até a sua inserção social. A grande verdade é que não existe um único factor que determine o comportamento humano, mas sim o equilíbrio entre tais factores.
Na verdade, o comportamento é sempre reflexo da maneira pela qual o indivíduo vê a realidade que o cerca, independente do comportamento estar certo ou errado. Essa percepção é a grande responsável pela formação da cultura de um grupo ou organização, pois à medida que a mesma é repetida por diversas vezes, acaba criando uma previsibilidade que remete a formação de uma cultura própria.
A percepção, no entanto, nunca é exacta e pura, ela é sempre resultado de experiências, que são afectadas por diversos factores como, por exemplo, a mudança de humor e até mesmo o ambiente em que se está inserido. É importante ressaltar que a percepção sempre estará condicionada a experiência e expectativas.
Pode-se considerar que três grandes grupos são responsáveis por determinar a percepção de um indivíduo:
1- Valores - como o conjunto de todas as crenças do indivíduo no que se refere à relação com outras pessoas e o ambiente. É o grande responsável pela interface do indivíduo com a sociedade;
2- Modelos mentais - que podem ser estórias ou imagens que existem na mente do indivíduo no seu mais íntimo e que o mesmo carrega consigo no que diz respeito a sua própria existência. É como se fosse o “retrato” que ele enxerga da sua própria realidade, da realidade alheia e o seu conceito de mundo ideal;
3- Motivos - é interessante utilizar como base o conceito de Eric Maslow da teoria das necessidades para entender em que estágio de necessidade o indivíduo encontra-se e assim entender o seu grau de percepção em relação aos factos.
Baseado na análise do comportamento humano pode-se dividir em quatro grandes grupos os indivíduos de acordo com as suas características de comportamento. Abaixo a definição de cada grupo, bem como a análise de como o líder deve abordar cada grupo de forma a maximizar o desempenho e extrair o melhor de cada um da sua equipa, tendo em vista que os perfis aparecem misturados nas mais diversas equipas de trabalho:
a) Catalisador: indivíduo essencialmente criativo, sendo motivado por reconhecimento à auto-estima. É percebido como empreendedor, convincente e vibrante, contudo, é considerado superficial, vaidoso e pretensioso. Tem dificuldades com disciplina e moderação. Tem uma tendência a gostar de coisas exclusivas que o diferencie dos demais;
b) Controlador: indivíduo focado basicamente em resultados efectivos, sendo motivado essencialmente pela realização. É percebido como dinâmico, eficiente e objectivo. Em compensação, é percebido também como crítico e dono da verdade. Costuma ter dificuldade em ouvir os outros e esperar a hora certa de executar algo;
c) Apoiador: indivíduo com grande foco em relacionamentos, onde o convívio harmónico é sua grande fonte de motivação. É percebido como amável, compreensivo e disponível. Contudo, é percebido também como ineficiente, fingido e bonzinho demais. Tem grande dificuldade em dizer não e trabalhar com metas e objetivos;
d) Analítico: indivíduo apagado a procedimento e normas, onde o seu grande motivador é a segurança e estabilidade. É percebido como disciplinado, sério e cuidadoso. Contudo, é visto também como confuso e perfeccionista. Num processo de decisão busca o máximo de informações possíveis para uma escolha certa. Tem grande dificuldade em tomar decisões rápidas ou que tenham algum tipo de risco.