As startups agora são criadas por profissionais muito bem preparados, apoiados por aceleradoras e investidores profissionais, que sabem que estão a participar de um jogo sério em que os vencedores levam tudo. Estes empreendedores dominam com mestria diversos conceitos específicos de startups. A seguir vão os dez conceitos básicos que estão entre os mais relevantes para quem lidera uma startup de alto potencial de crescimento.
1. Startup: ainda há muita confusão no próprio uso do termo startup. Para o Professor Steve Blank, talvez a principal referência acadêmica do mundo neste assunto, nem toda empresa nascente é uma startup e isto também não é uma versão pequena de uma grande empresa. Para ele, uma startup é uma iniciativa (um projecto ainda) em busca de um modelo de negócio estável, (muito) escalável e (muito) lucrativo. Startup deve ser algo tão inovador que o empreendedor ainda precisa validar diversas hipóteses até encontrar um modelo de negócio fixo, que consiga crescer rapidamente e que gere muito retorno financeiro para seus
empreendedores e investidores;
2. Lean Startup: nesta abordagem, o empreendedor não planea com antecedência. Ele tem uma ideia, constrói um protótipo, valida com potenciais clientes e usuários, colecta dados e aprende para desenvolver uma nova versão da ideia e daí validar, coletar dados, aprender e continuar neste ciclo até ter um negócio muito escalável e lucrativo. Mas precisa rodar estes ciclos sempre
com mínimo de recursos possível;
3. Customer development: na primeira etapa é preciso descobrir quem é o cliente. Só os empreendedores mais cegos pela sua arrogância ou ingenuidade acham que sabem quem são os seus clientes. Nesta fase, o empreendedor precisa dominar e aplicar dois conceitos muito críticos: adequação entre o problema do cliente e a solução proposta (problem-maket fit)
e produto mínimo viável (MVP);
4. Job to be done: o conceito de Job to be done (JTBD), consolidado pelo Professor Clayton Christensen, talvez seja a abordagem mais importante no mundo dos negócios criada na última década. Para as startups, o JTBD é fundamental para definir a etapa de problem-market fit do Customer Development, pois explica que o que entendemos por problema
é apenas a parte mais óbvia;
5. Canvas da proposta de valor: é mais uma ferramenta para ter na parede e ser constantemente evoluída, testada e validada;
6. Canvas do modelo de negócio ampliado: além da dificuldade de se definir uma proposta de valor realmente vencedora, há partes importantes que precisam ser consideradas logo no início. Uma delas é a concorrência. Mesmo que a sua solução seja inovadora, se ela resolve JTBD reais do mercado,
haverá soluções substitutas;
7. Blitzscaling: no Blitzcaling, esta fase de “família” precisa ser trabalhada de forma similar pelo empreendedor em que tudo ainda é informal, baseado na confiança e com colaboradores multitarefas. Mas a empresa irá crescer em facturamento, funcionários e complexidade passando pelas fases de tribo, vila, cidade e depois nação;
8. Abismo da inovação: todo inovador deve conhecer o conceito de Abismo da Inovação definido pelo consultor Geoffrey Moore no seu famoso gráfico em que ilustra o ciclo de vida de adopção de uma nova tecnologia. Em muitos casos, quando a startup é bem sucedida inicialmente, consegue atingir a faixa de usuários que Moore chamou de inovadores e depois, uma nova faixa, que definiu como adotantes iniciais (early adopters);
9. CAC e LTV: quando a startup se torna um negócio de facto e o empreendedor começa a se tornar executivo da empresa, diversas novas ferramentas e abordagens de gestão começam a fazer sentido;
10.Estratégias de saída: por fim, todo empreendedor de uma startup de alto potencial de crescimento precisa ter algumas estratégias de saídas bem definidas, planeadas e monitoradas. Isto também implica em dominar as abordagens de captação de recursos de investidores.