Dentro de uma organização, nem todos gostam da implementação de um controlo de gestão rigoroso, nomeadamente nas pequenas e médias empresas. Entendem muitos gestores que o controlo de gestão é mais uma forma de burocratizar os serviços internos das empresas, para outros, é apenas uma
forma de policiamento.
Este sistema deve ser entendido como um meio que tem em vista o desenvolvimento da empresa, envolvendo todos os membros da organização com o objectivo de melhorar os desempenhos individuais e organizacionais, podendo ser definido como o esforço realizado permanentemente pelos principais responsáveis da empresa para atingir os objectivos fixados.
Por principais responsáveis entende-se as pessoas dentro da empresa por áreas operacionais como as vendas, a produção, o aprovisionamento, a investigação e o desenvolvimento. Um sistema de controlo de gestão tem como principal objectivo responder às necessidades da empresa em cada momento do seu ciclo de vida.
Para o efeito, é necessário que seja efectuado um diagnóstico das necessidades das empresas e dos instrumentos necessários para atingir os objectivos. Em suma, o desenvolvimento de um sistema de controlo de gestão tem como meta a realização de objectivos estratégicos da empresa, beneficiando a acção e a tomada de decisões em tempo útil. Nas pequenas e médias empresas, muitas vezes o(s) gestor(es) procura(m) consciente ou inconscientemente implementar uma estrutura em Sol, que se caracteriza pela proeminência das relações bilaterais que ligam os diferentes membros da equipa ao patrão.
Este está no centro de todas as comunicações, não delega, ou delega pouco, e assume ao mesmo tempo as responsabilidades estratégicas e a direcção operacional da empresa.
O dirigente que funciona em estrutura em sol muito dificilmente aceita um controlador, porque vê este profissional como um simples custo que nada lhe dá em troca, ou seja, um estorvo. Nos dias que correm, os contabilistas dessas pequenas e médias empresas podem ter um papel importante no sentido de mentalizarem os dirigentes dessas organizações a criarem e implementarem sistemas de controlo de gestão que devem ser simples e eficazes, distribuindo a responsabilidade do controlo de gestão por outras pessoas.
Para os peritos contabilistas, um bom sistema de controlo de gestão, mais propriamente controlo interno, pode ser um indicador de que a empresa funciona e esta pode garantir a sua continuidade. Prever, organizar, comandar, coordenar e controlar caracterizam a função administrativa que, sem entrar em guerras académicas, tem espaço no conceito de gestão.
Por exemplo, a alínea c) do número 2 do artigo 71º (relatório de gestão) da Lei das Sociedades Comerciais (LSC) refere a evolução previsível da sociedade. Com números completamente desconexos e fora da realidade da empresa, que no ano seguinte mostra de forma evidente a sua falta de prevenção, alegando muitas vezes os empresários como desculpa que não houve dinheiro para investir. Ora, o orçamento (prever) é uma peça importante a nível de controlo de gestão.
Neste sentido, um orçamento articula-se à volta de três peças que estão interligadas ao plano operacional, que são: Orçamento de investimentos - compreende os investimentos que vão ser realizados no exercício a nível de meios fixos, dando desta forma resposta ao número 2 do artigo 71º da LSC. Orçamentos de exploração - os resultados do exercício seguinte podem ser apresentados sob a forma de contabilidade orçamental interligada à contabilidade analítica.
Hoje, os programas de contabilidade, para além da contabilidade orçamental, têm também contabilidade analítica (vulgo custos), podendo ser usado o sistema de contas reflectidas. Orçamento de tesouraria - concilia os recebimentos e os pagamentos previstos para um determinado período. Sou de opinião que fazer orçamentos rígidos, como, por exemplo, para um período de 12 meses, poderá ser um espaço temporal bastante alargado, nomeadamente para ciclos de exploração problemáticos.
Neste sentido, salvo melhor opinião, os orçamentos de tesouraria devem ser feitos trimestralmente e, depois de analisados casuisticamente os desvios, devem ser efectuadas as respectivas correcções/adaptações. Porém, para que o orçamento seja útil, implica que a contabilidade das empresas esteja em dia, sob pena de o orçamento perder a sua relevância a nível de controlo de gestão.
Em princípio teremos a partir de 1/07/2019, o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) a ser implementado em Angola. Com o IVA, as empresas têm de pensar seriamente na implementação de controlo interno, sob pena de no futuro, aquando das fiscalizações da Administração Geral de Tributária (AGT) virem a ter problemas, em concreto com o IVA dedutível, isto porque a qualidade dos documentos tem de estar sempre presente.
Assim, é importante que as empresas angolanas pensem em ter uma central de compras com pessoal qualificado na aquisição de bens/serviços, visto que à Contabilidade vai parar documentos definitivos e esta pouco ou nada pode/poderá fazer. Compete à Contabilidade criar defesas, ou seja, tem de fazer a filtragem dos documentos e criar subcontas para a relevação contabilística dos documentos que não estejam de acordo com o regime jurídico das facturas e documentos equivalentes.