O novo governo, nomeado sexta-feira, em Luanda, pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, à luz da nova Constituição, e que ontem tomou posse, no Palácio presidencial à cidade alta, traz no seu formato entre as grandes inovações a figura do ministro de Estado e da Coordenação Económica, que substitui deste modo o extinto ministério da economia.

Além da figura de vice-presidente da república, em que foi nomeado, Fernando da Piedade Dia dos Santos, o Executivo é ainda composto por 3 ministros de Estado e outros 27 ministros. Constam ainda na estrutura, 20 Secretários de Estado e 35 Vice-ministros.

Entre as fusões de ministérios e extinção de outros destaca-se o novo formato do anterior ministério da economia que passa agora a Coordenação Económica do Estado.

Nesta edição, o JE traz, em especial, as grandes alterações registadas no quadro funcional da economia e respectiva equipa económica, assim como o perfil de seus titulares.

Foi nomeado para o cargo de Ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel José Nunes Júnior. De 48 anos, é natural do Lobito, província de Benguela, onde nasceu a 6 de Dezembro de 1961.

Economista, graduado pela Universidade Agostinho Neto, com mestrado e doutoramento na Universidade de York, Reino Unido. Assumiu em Setembro de 2008, o então recém-criado Ministério da Economia, após passagem pelo ministério das finanças, onde foi vice desde 2003. Neste mesmo ano, também desempenhou a função de secretário do Bureau Politico do MPLA para a política Económica e Social.

Neste cargo, Manuel Nunes Júnior coordenou a elaboração do Programa do Governo do partido para o quadriénio 2009-2012, com vista às eleições legislativas.

Académico de reconhecido mérito em Angola recebeu a distinção da Universidade de York, onde se doutorou, pela sua tese intitulada “Finanças Públicas e Crescimento Económico”.

Foi professor e director da faculdade de economia da Universidade Agostinho Neto, tendo exercido interinamente a reitoria desta instituição de ensino. Foi também presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), entre 1999 e 2002.

Job Graça, antigo vice-ministro das finanças, inicialmente, e da economia, a posterior, foi indicado neste executivo para o cargo de Secretário de Estado da Coordenação Económica.

Com o surgimento da Coordenação Económica ficou extinto o ministério da economia, embora mantém-se, para esta nova estrutura, o desafio de orientar as politicas macroeconómicas do Estado angolano, num período de acentuado desenvolvimento e crescimento das perspectivas económicas do país na arena continental e internacional. Gerir os complexos desafios de afirmação, enquanto potência, da nação é outra das metas que o elenco de Manuel Nunes Júnior continuará a perseguir.

Alias, no seu discurso de promulgação da Constituição, o Presidente da República fez referencia a alguns dos principais desafios que se propõe o Governo até 2012. Dentre eles, o de desenvolver a economia do país de forma sustentada, com equilíbrio regional e integração internacional, através do aumento contínuo do rendimento, associado à equidade da sua distribuição

Por sua vez, o novo Ministro das Finanças chama-se Carlos Alberto Lopes. Foi no anterior governo vice-ministro do planeamento.

Participou na equipa de negociação com o Banco Mundial sobre a reavaliação da capacidade de crédito de Angola, junto de financiadores internacionais, além de ter integrado as equipas que conjuntamente as agências de rating avaliaram o crescimento do nível de vida e de desempenho da economia angolana.

Sereno, muito bem-humorado e de uma atenção impecável (ilações tiradas da última entrevista cedida em exclusiva ao JE), Carlos Alberto Lopes marca sempre a sua actuação pelo rigor e precisão nas informações que presta.

A frente de si, o desafio de dedicar-se à elaboração e execução do OGE e às questões fiscais. Manter os níveis alcançados pela execução financeira no exercício de 2009 é outro grande desafio do novo ministro.

A Secretária de Estado das finanças chama-se Valentina Matias de Sousa Filipe.

Também integram o Executivo um Secretário de Estado para o Tesouro, Manuel Neto Costa e um Secretário de Estado do Orçamento, Alcides Horácio Frederico Safeca.