A palavra “coaching”, de origem inglesa, é uma metodologia de desenvolvimento humano e empresarial que ajuda a acelerar resultados que contribuem para que os indivíduos e as empresas alcancem os seus objectivos. Em Angola, segundo a especialista angolana, Nzaquemuena Tumba, formada em gestão de pessoas, o processo coaching é aplicado de forma inadequada, o que contribui para o fracasso dos clientes.

De acordo com a Nzaquemuena Tumba, o uso correcto das metodologias do processo coaching aumenta a motivação e a produtividade, facilita a interacção de equipas, melhora a comunicação, desenvolve habilidades, aprimora competências e atinge resultados extraordinários.

Explica-nos o que é o coaching?


O coaching é um processo de desenvolvimento organizacional e pessoal, que envolve duas figuras importantes: o coacher e coachee. A primeira, o técnico especializado, e a segunda, o cliente, sobre quem incide acção de coaching. Este processo é orientado com foco no futuro e suportado por princípios sagrados da ética e deontologia profissional. O objectivo principal do coacher é de evidenciar as inúmeras possibilidades de sucesso dos seus clientes. Portanto, o coaching é o processo, o coacher é o técnico profissional, e o coachee, o cliente que recebe este processo.


Em Angola, já se aplica o processo coaching?


Em 2014, quando iniciei os seminários de gestão de pessoas, a expressão coaching era uma novidade para muitos, por isso durante as sessões passei a mostrar aos formandos a necessidade do uso do processo para o melhoramento de performance das empresas e das pessoas. Nestas sessões, era notória a frustração no seio dos alunos, porque a expressão coaching era um “bicho” de sete cabeças. Para tornar a expressão mais conhecida e familiar, tive que incentivar as pessoas a frequentarem os meus seminários para que entendessem melhor o conceito coaching.
Actualmente, em Angola, já se fala de coaching, mas com pouca vibração. Angola passou por um período de guerra, onde os problemas sociais, económicos, as frustrações e crenças limitadas continuam a afectar a vida dos angolanos, por isso o surgimento de coachers no país, nesta altura, em que estamos a viver um novo paradigma de governação, seria importante para ajudar as empresas e as pessoas a saírem de estágios de insucessos para patamares de sucessos a fim de atingirem as suas metas.
Nos meus seminários tenho incentivado as pessoas a profissionalizarem-se em coaching para actuarem como verdadeiros coachers em Angola.

O Nosso país possui profissionais de coaching?


Em 2018, tive a oportunidade de juntar vários coachers e obtive informações que muitos deles fizeram formação em vários países, apesar de não ter visto os seus diplomas, mas fiquei com a impressão que o número de coachers está a crescer. Em algumas sessões que participei, notei que os nossos coachers usam técnicas e ferramentas inadequadas que não ajudam a atingir a verdadeira motivação interna de mudança, o que pode ser frustrante para os coachees (cliente).
Aconselho os nossos coachers a utilizarem nas suas sessões de seminários metodologias comprovadas de coaching, porque utilizando métodos correctos contribuem para o desenvolvimento humano e das empresas, no aceleramento de resultados que podem ajudar o alcance em curto espaço de tempo. Existe uma força de vontade por parte dos coachers angolanos, o que é importante para divulgação do processo coaching, mas para atingirem a excelência devem profissionalizar-se.

Acredita que teremos excelentes coachers no futuro?


Sim. Porque, o desafio que Angola tem pela frente, no que ao coaching diz respeito, não difere dos outros países. A selecção clara de quem tem um título de coaching e certificado por instituições internacionais é importante para que os coachers possam exercer melhor a profissão no auxílio às pessoas e às empresas, utilizando métodos reais. Acredito num futuro melhor para os nossos coachers, mas para que isso aconteça, é preciso começarmos a identificar as pessoas que têm uma certa inclinação em coaching para serem formadas e trabalharem coachers profissionais.

Fale-nos dos seminários que tem promovido pelas provincias...


As formações que promovo em Angola têm tido o seu foco na gestão de pessoas, fazendo recurso ao processo coaching que auxilia os clientes e as empresas a atingirem os seus objectivos. O processo coaching na gestão de pessoas é um factor de auto-conhecimento que é colocado em evidência por meio de perguntas assertivas. Nestes seminários, temos falado do coaching de carreira, de vida e empresarial. Os nossos seminários estão focalizados na liderança de alta performance, em que temos abordado os diferentes estilos de liderança, técnicas assertivas de liderança, análise das questões históricas e fundamentos de coaching.
O objectivo destes seminários é de criarmos uma cultura de coaching no seio dos angolanos. O meu livro intitulado “Seja feliz no trabalho”, inspirou-me muito em direccionar os seminários usando a metodologia coaching, porque os problemas que afectam as empresas angolanas têm a ver com o clima organizacional pesado, a falta de comprometimento para atingirem os objectivos e com as pessoas tem a ver com a falta de orientação para atingirem as metas preconizadas.


O que as empresas devem adoptar para saír do clima pesado?


O clima organizacional pesado e a problemática da falta de comprometimento são os principais problemas que impedem as empresas africanas e angolanas, em particular, atingirem a excelência. Por exemplo, continuamos assistir, em Angola, pessoas a ocuparem cargos de chefia sem nenhum conhecimento de gestão e de administração de empresas, principalmente daqueles que são nomeados como gestores, o que tem sido fatal para o desenvolvimento das organizações.
No país, o sector dos recursos humanos continua a funcionar com o modelo tradicional, que se preocupa apenas com os salários e com o número de trabalhadores que a empresa tem. Actualmente o sector dos recursos humanos deve ser mais estratégico e ir além do modelo tradicional, preocupando-se em saber, o porquê da falta de comprometimento, da existência do clima organizacional pesado e do registo de fofocas na empresa. O sector de recursos humanos deve ir atrás das respostas para essas questões.

Acha que é altura dos gestores começarem a colocar pessoas certas nos lugares certos?


Penso que sim. Na verdade é um problema que deve ser combatido. Também quero dizer que chegou a hora dos gestores começarem a agir, porque quando alguém fizer o que gosta de fazer e estar colocado no lugar certo o seu desempenho laboral de produtividade aumenta, proporcionando um ambiente saudável no rosto do trabalhador. Estou a trabalhar num projecto de estudo de caso, com o tema “clima organizacional” para ajudar os gestores a terem uma visão mais estratégica focalizada na valorização do potencial humano.