Angola precisa de cinco milhões de toneladas de cereais por ano, para suprir a situação alimentar, fabrico de ração e de semente para o desenvolvimento da sua agricultura, disse à imprensa, o ministro da Agricultura e Florestas, Marcos Alexandre Nhunga, à margem da abertura do Conselho Consultivo da instituição que dirige.
Actualmente, acrescentou, o país produz mais de dois milhões de toneladas “isso quer dizer que temos um défice de aproximadamente 40 por cento e temos de lutar para suprir “.
“Temos de aumentar os apoios aos agricultores familiares para reduzir o défice, visto que a agricultura familiar é responsável em 80 por cento de produção e de tudo que consumimos no país”, informou.
Marcos Alexandre Nhunga destacou que tudo está a ser feito para que os agricultores familiares “não só tenham acesso aos factores de produção a bons preços, mas também que possam produzir e comercializar a sua produção”.

Bons indicadores
De acordo com o ministro, os indicadores mostram que ano após ano, o sector da agricultura tem vindo a aumentar os seus rendimento, principalmente na agricultura familiar.
Frisou que “não menos importante o sector empresarial” que está a contribuir de forma decisiva para que nos próximos 5 - 10 anos, o país possa suprir a maior parte do défice alimentar que ainda “temos no nosso território”.
“Estamos a trabalhar para criar políticas que visam, por exemplo, o aumento da produção e produtividade para diminuir as exportações. Políticas ligadas a diminuição de estruturas de custos a nível da nossa agricultura”, revelou.
Marcos Alexandre Nhunga mostrou-se satisfeito pelo facto de se terem conseguido reduzir os preços dos fertilizantes em todo o país, mas ainda assim destacou que o Governo vai continuar a trabalhar no sentido de reduzir os custos de compra de charruas que poderão contribuir para o cultivo do milho, mandioca e feijão, na região Centro e Sul do país, onde está concentrada a maior parte da população, com tradição para a produção destas espécies.
“O sector vai fazer tudo para que os factores de produção sejam acessíveis de forma a tornar a agricultura competitiva”, disse.

Novas políticas
O Conselho Consultivo do Ministério da Agricultura e Florestas decorreu nos dias 8 e 9, na cidade do Luena, Moxico, e decorreu sob o lema “O desenvolvimento da agricultura como base da diversificação económica do país”.
Durante o evento foram discutidos vários temas como: “Desafio da comunicação na promoção da agricultura como sector chave no processo da diversificação da economia”, “Desafios e oportunidades do sector agrário na província do Moxico” e o “Balanço das actividades do ano agrícola 2017/2018”.
Foram também abordados os temas “Comércio rural como alavanca para a produção agrícola” e o “Desenvolvimento da agro-indústria para a criação de valor acrescentado à produção agro-indústria e florestal e apoio financeiro ao sector agrário”.