A Fiat Chrysler e a controladora da montadora francesa Peugeot, a PSA, confirmaram esta semana negociações avançadas sobre uma potencial aliança que pode criar um grupo automotivo de USD 50 bilhões. Uma fonte afirmou à Reuters que um acordo pode ser anunciado brevemente. Os representantes da Fiat Chrysler ainda não se pronunciaram sobre o assunto.
Os dois grupos afirmaram em comunicados separados que estão em discussões direccionadas a criar uma das maiores montadoras de veículos do mundo, melhor posicionada para lidar com custos de desenvolvimento de tecnologias como direcção autónoma e electrificação e regulamentos mais estritos sobre emissões de poluentes.
Depois de desistir de uma fusão com a Renault em junho, o presidente do Conselho de Administração da Fiat Chrysler, John Elkann, confirmou a tentativa do grupo ítalo-americano de buscar uma aliança alternativa no mercado de parcerias.
As acções da Fiat Chrysler listadas em Milão dispararam mais de 10 por cento no mês passado, depois de subirem mais de 7 (29) em Nova Iorque. As acções da Peugeot subiram mais de 6 por cento e atingiram o ponto mais alto em mais de 11 anos.
O analista Richard Hilgert, da Morningstar, afirmou em relatório que os volumes de vendas da Fiat Chrysler e da Peugeot, incluindo parcerias na China, somam 8,7 milhões de veículos.
Esse número deixa o grupo combinado na quarta posição entre as maiores montadoras do mundo, atrás de Volkswagen, Toyota e da aliança Renault/Nissan, cada um com vendas de mais de 10 milhões de veículos.
“Vemos a combinação destas duas companhias como razoável dada a competição global, alto nível de investimento e avanços como electrificação e tecnologias de direcção autónoma”, disse Hilgert.
O governo francês está acompanhando de perto as negociações. Paris tem uma participação de 12 por cento na PSA por meio do banco BPI.
O ministro da Indústria da Itália, Stefano Patuanelli, disse quarta-feira que Roma, não tem participação na Fiat Chrysler, está acompanhando as discussões entre os dois grupos, mas evitou comentar o que chamou de “operação de mercado”.
A Fiat Chrysler, controlada pela Exor, holding da família italiana Agnelli, discutiu mais cedo neste ano uma combinação com a Peugeot, antes de fazer uma oferta de USD 35 bilhões para fusão com a Renault.
Na época, a Fiat Chrysler afirmou que um acordo com a Renault seria mais vantajoso que uma combinação com a Peugeot, mas a família Agnelli rompeu as negociações depois que o governo francês interveio e pressionou a Renault primeiro a resolver as suas brigas com a parceira japonesa Nissan.
Além dos 12 por da PSA nas mãos do governo francês, a família Peugeot e o governo da China possuem participações similares na holding.
O conselho de administração da PSA deve se reunir quarta-feira para discutir o potencial acordo, disseram duas fontes próximas do assunto.