Uma empresa possui um gargalo de produção quando a maioria das suas etapas possui uma certa velocidade de produção, enquanto que uma única etapa possui uma velocidade muito menor e acaba por atrasar todas as etapas seguintes. Consequentemente, a velocidade final de produção da empresa também é prejudicada, pois consiste em uma soma dos processos interdependentes.
Por exemplo: imaginemos uma indústria cujo sector de manufactura tenha capacidade para produzir mil unidades por hora de um determinado produto. Se o sector de embalagem dessa mesma indústria for capaz de embalar apenas setecentas unidades por hora, teremos aí um gargalo, uma vez que a linha de produção não poderá trabalhar com a sua capacidade total. No caso de se mater a produção das mil unidades, será necessário armazenar produtos não embalados, o que significará custos para a empresa.
“Um gargalo cria a necessidade de stocks maiores nos sectores anteriores, o que aumenta os custos da empresa”.
A localização do gargalo pode estar em qualquer ponto da cadeia produtiva, seja na entrada (por exemplo, no tempo de recebimento de novos materiais do fornecedor), no meio da cadeia (o tempo de fabricação de uma determinada peça de um aparelho) ou no final (a velocidade de venda dos produtos fabricados). Seja qual for a sua localização, o gargalo de produção afectará toda a cadeia produtiva, podendo atrasar a receita da empresa, levando a uma forma de imobilização de capital.
O maior nível de ociosidade ocorre quando o gargalo se localiza próximo à entrada do processo, no início da produção, pois todas as fases seguintes do sistema acabam por trabalhar abaixo da sua velocidade máxima. Por outro lado, quanto mais próximo do estágio final do processo o gargalo estiver, mais prejudicial ele será para a geração de receita. Afinal, conforme se avança dentro do sistema produtivo, mais se aumenta a soma dos custos variáveis (aqueles que só existem com a produção), mas sem a venda do produto na mesma velocidade de produção, a receita também não é gerada na mesma velocidade.
A situação então se torna perder ou perder: ou a velocidade de toda a cadeia é diminuída, levando a desperdício de recursos humanos, físicos, tecnológicos, etc., ou a velocidade é mantida e torna-se necessário manter um stock dos insumos antes do gargalo, que tenderá a crescer originando mais custos de alocação de espaço maior e administração eficiente de um stock grande.