O governo britânico acaba de reabrir a linha de crédito à exportação para Angola, num valor até 70 milhões de dólares, anunciou, nesta quarta, em Luanda a embaixadora da Grã-Bretanha, Pat Phillips, em conferência de imprensa.

A diplomata considerou esta decisão uma oportunidade para as empresas do seu país exportarem ou investirem em Angola e reconheceu que, na actual crise económica e financeira, Angola oferece muitas vantagens de investimento.

“Trata-se de investimentos totalmente privados, mas com a garantia do Governo britânico”, sublinhou Pat Phillips, notando que a linha de crédito é uma prioridade, pois todas as empresas que querem investir ou exportar para Angola podem aceder ao financiamento.

A linha de crédito do Governo britânico é destinada ao financiamento à exportação de médio prazo, apropriado para a exportação de bens essenciais, serviços e projectos para Angola, a partir do Reino Unido.

Os fornecedores e compradores que optarem por essa modalidade têm de obedecer à exigência de que o pagamento seja segurado através de uma carta de crédito irrevogável aberta por um banco angolano aceitável. Já o seguro de investimento no estrangeiro é garantido pelo Departamento de Crédito de Exportação Garantido (ECGD), que cobre os investimentos directos de empresas britânicas em Angola contra os riscos de expropriação e restrição a remessas.

A reabertura da linha de crédito às exportações britânicas segue-se à regularização total da dívida angolana com o “Clube de Paris”, como reconheceu Aguinaldo Jaime, coordenador da comissão de reestruturação Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP).

“O Governo angolano fez um grande esforço financeiro para a regularização de todos os seus compromissos com o "Clube de Paris", onde se inclui a Grã-Bretanha, e isso abriu caminho para que os diferentes governos pudessem reabrir linhas de créditos à exportação, ao seguro e investimento”, sublinhou Aguinaldo Jaime.

O coordenador da ANIP sublinhou ainda que embora Angola tenha parcerias “muito profundas” com países como a China, Brasil, Portugal e Alemanha, “o Governo resolveu, naquela altura, saldar os seus compromissos com o "Clube de Paris", mesmo sacrificando, obviamente, outras prioridades no âmbito da reconstrução nacional, para permitir que todos os países pudessem voltar a cooperar, passando a fornecer garantias quer à exportação, quer para os projectos”.