Para o autor Jim Collins, ser bom não basta. É preciso ser excelente. Para alcançar a excelência, o líder corporativo deve ter humildade, que consiste em procurar o melhor para a empresa em vez de o melhor para si mesmo. Essa é uma das teses defendidas por aquele especialista internacional em estudos relacionados à gestão de empresas de sucesso.

No seu livro intitulado “Empresas Feitas para Vencer”, Jim Collins realiza um estudo profundo sobre os segredos das empresas bem sucedidas nos Estados Unidos. “No nosso estudo de empresas boas que se converteram em excelentes, tínhamos descoberto que a qualidade primordial que distingue os seus líderes é a humildade, enquanto tendência de procurar o melhor para a empresa. Também detectámos a capacidade e a disciplina do líder para gerir dados desalentadores, qualidade ainda mais determinante em empresas que operam em contextos turbulentos”, afirmou.

O livro resulta de “estudo de caso” de empresas norte-americanas de capital aberto que tiveram desempenhos muito acima da média ao longo de 15 anos de pesquisa. O resultado desse trabalho foi a elaboração de seis princípios do sucesso dessas companhias, chamados pelo autor de “volante do crescimento”. Os princípios, por sua vez, são separados em três segmentos: pessoas disciplinadas, pensamento disciplinado e acção disciplinada.

O padrão de Collins para considerar um líder excelente é exigente. Só entram na lista os que fazem as suas empresas crescer o triplo da média do mercado durante 15 anos. Alguns exemplos de empresas deste género são a Gillette, Kimberly-Clark, Wells Fargo e Abbot Laboratories. Para o autor, a característica primordial dos líderes que revolucionaram essas empresas foi a humildade.

Que tipo de líder és?
Em entrevista à revista brasileira Época, Jim Collins classificou os líderes em diferentes níveis numa escala de um a cinco Segundo Collins, para ser um executivo de nível cinco é preciso ter as qualidades dos níveis quatro, três, dois e um. O líder de nível um é aquele que reúne as capacidades individuais. O de nível dois, reúne capacidades de equipa. Já o de nível três, é bom de administração e o de nível quatro reúne habilidades de liderança: capacidade de comandar, dar orientação, mobilizar e transformar um grupo. Os líderes de nível cinco têm todas essas capacidades e mais uma qualidade, que é deixarem a ambição pessoal de lado em nome da empresa.

O sucesso do líder de nível cinco está intrinsecamente ligado ao sucesso da empresa e não do líder individualmente, ou seja, primeiro a empresa e o resto vem por acréscimo. Esse tipo de líder não se contenta com a satisfação das suas necessidades e dos objectivos pessoais. Primeiro e acima de tudo, está o objectivo da empresa que dirige. O líder de nível cinco não é avaliado pelos resultados imediatos ou de curto prazo alcançados pela empresa.

Imagina um gestor que, num ano depois, consegue colocar uma empresa à beira da falência no patamar mais alto do seu segmento de mercado, fruto de medidas revolucionárias que implementou. Apesar dos bons resultados, esse líder só se torna de nível cinco se 15 anos depois essa empresa se mantiver acima da média fruto das medidas de gestão que ele aplicou, independentemente de continuar ou não na gestão da referida empresa.

O autor sublinha que os líderes de nível cinco têm humildade (esta foi uma conclusão empírica do estudo feito às empresas de grande sucesso). São os melhores. Eles superam de longe os líderes de nível quatro, que são bons mas não humildes. A ambição que eles têm não é acerca deles próprios. É dirigida à empresa. Os líderes de nível cinco vêem-se como secundários, submetem-se a uma causa maior que é a empresa. Além disso, combinam humildade com resultados revolucionários.

Jim Collins afirma que relativamente ao executivo de nível quatro, em contraste com o nível cinco, tende a ser menos discreto, chama mais a atenção. Eles são o tipo de líderes que têm mais ambição para si próprios, são pessoas como Lee Iacocca (ex-presidente da Chrysler). Ele é um líder, mas não produziu o mesmo crescimento. Existem líderes nível cinco carismáticos. Sam Walton (líder da Wal-Mart) é um deles. Mas ser carismático é perigoso. É mais difícil atingir a excelência sendo carismático. Esses líderes tendem a convencer as pessoas através da sua habilidade pessoal e não por argumentos lógicos ou racionais. Isso é uma desvantagem.
Com base nas suas experiências como homem de negócios, o autor dá dicas, descreve os seus princípios básicos em negócios e ensina ao leitor lições sobre liderança, contratações e progresso na profissão. “Feitas para Durar” está entre os livros mais recomendados para gestores de topo.

Biografia
Segundo o Wikipédia, Jim Collins é um investigador e docente universitário que se dedica à análise de como as grandes empresas crescem, como obtêm óptimos resultados e como boas empresas podem tornar-se excelentes.
Depois de ter investido quase 25 anos de pesquisas sobre o tema, Collins é autor ou co-autor de seis livros de que já se venderam mais de dez milhões de cópias em todo o mundo. Eles incluem o clássico “Built to Last”, que foi um “best-seller” do “Businessweek” por mais de seis anos, além do “best-seller” internacional “Good to Great”, que foi traduzido em 35 línguas. Movido por uma curiosidade implacável, Jim Collins começou a sua carreira de investigação e ensino sobre o corpo docente da Escola de Negócios da Universidade de Stanford, onde recebeu o prémio “Distinguished Teaching Award” em 1992. Em 1995, ele fundou um laboratório de gestão, em Boulder, Colorado, onde agora realiza pesquisas e presta serviços de consultoria com executivos dos sectores empresarial e social. Ele é formado em administração de empresas e ciências matemáticas pela Universidade de Stanford e doutorado pela Universidade de Colorado.